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Congresso em Santiago Analisa Cadeia Fria em Meio à Expansão de Marcas Globais na AL

O Latin American Cold Chain Congress, agendado para 27 e 28 de agosto de 2025 em Santiago, Chile, está posicionado para ser um ponto de convergência decisivo para o setor de logística com temperatura controlada. O evento, que será apresentado em espanhol com tradução simultânea…

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Redação Frozen Retail Insider
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Congresso em Santiago Analisa Cadeia Fria em Meio à Expansão de Marcas Globais na AL
Foto de Ishaq Robin

Por que Santiago se tornará o epicentro da cadeia de frio em agosto de 2025?

O Latin American Cold Chain Congress, agendado para 27 e 28 de agosto de 2025 em Santiago, Chile, está posicionado para ser um ponto de convergência decisivo para o setor de logística com temperatura controlada. O evento, que será apresentado em espanhol com tradução simultânea para o inglês, adota um formato de exclusividade e capacidade limitada, sendo restrito a participantes estrangeiros. Esta estrutura sugere uma ênfase deliberada em facilitar negócios e networking de alto nível entre operadores internacionais e stakeholders regionais, em vez de um evento de massa. A programação oficial começa no primeiro dia com o credenciamento das 15:00 às 16:00, seguido imediatamente pela Sessão Geral de Abertura, das 16:00 às 17:00, estabelecendo um tom focado e intensivo desde o início.

Este encontro ocorre em um momento de pressão crescente sobre a infraestrutura da cadeia de frio na América Latina. O interesse de corporações multinacionais de bens de consumo na região não é mais uma projeção, mas uma realidade comercial que exige uma resposta logística imediata e robusta. A capacidade instalada, a eficiência operacional e a adoção de novas tecnologias são agora variáveis críticas para distribuidores, operadores 3PL e varejistas que buscam não apenas sobreviver, mas capitalizar sobre as novas correntes de demanda que estão sendo injetadas no mercado. A análise aprofundada desses desafios será o eixo central do congresso.

Expansão de Marcas Internacionais: Um Teste de Estresse para a Logística Regional?

A relevância do congresso é diretamente amplificada por movimentos comerciais concretos de grandes marcas de consumo, que dependem intrinsecamente de uma cadeia de frio funcional para suas estratégias de expansão. Essas iniciativas não são apenas notícias corporativas; elas representam volumes de carga que precisam ser armazenados e transportados sob condições rigorosas, exercendo uma pressão quantificável sobre a infraestrutura existente.

De Cafés a Iogurtes: A Nova Onda de Demanda por Frio

A parceria anunciada entre a PepsiCo e a Starbucks para distribuir cafés prontos para beber e bebidas energéticas na América Latina é um exemplo claro desse vetor de crescimento. Esses produtos exigem refrigeração consistente desde o centro de distribuição até o refrigerador do ponto de venda para manter a qualidade e a segurança alimentar. De forma similar, a Chobani, uma marca proeminente no setor de iogurtes, anunciou a expansão de sua distribuição para a Ásia e a América Latina. Produtos lácteos como o iogurte são ainda mais sensíveis a variações de temperatura, tornando a confiabilidade da cadeia de frio um pré-requisito não negociável para a entrada no mercado.

A entrada ou expansão de players desse porte gera uma demanda imediata e em cascata por capacidade de armazenamento refrigerado, transporte de longa distância com controle de temperatura (reefer) e soluções de logística de última milha. Para os operadores logísticos regionais, isso se traduz em uma necessidade urgente de avaliar e potencialmente expandir suas operações. Para os planejadores de categoria no varejo, significa reconfigurar a logística de recebimento e a gestão de estoque em loja para acomodar produtos com requisitos mais exigentes.

A Resposta da Infraestrutura: Corredores Comerciais em Formação

A infraestrutura de suporte logístico demonstra sinais de resposta a essa nova demanda. A decisão do hub comercial de Port Manatee de abrir escritórios na América Latina e na Europa é um indicador estratégico. Este movimento não se trata apenas de uma presença física, mas da criação de corredores comerciais mais robustos e integrados. O objetivo é facilitar um fluxo mais previsível e eficiente de mercadorias, incluindo produtos perecíveis que exigem controle de temperatura. A iniciativa sinaliza uma maturação das rotas comerciais que servem a região, buscando reduzir atritos e aumentar a confiabilidade. Para os distribuidores e operadores logísticos locais, isso representa uma faca de dois gumes: a oportunidade de formar novas parcerias estratégicas com players globais e, ao mesmo tempo, um aumento inevitável da concorrência no seu próprio mercado.

Na Pauta do Congresso: Automação, Capacidade e Comércio Sob Tensão

A agenda do evento foi cuidadosamente estruturada para refletir os desafios práticos e as questões estratégicas que definem o setor atualmente. As sessões e painéis programados oferecem um mapa claro das prioridades para operadores logísticos, embarcadores e seus clientes nos próximos anos. A curadoria de palestrantes e moderadores, incluindo executivos como Jean Funes, Gerente Sênior de Produto Reefer da Maersk, e Cristian Cornejo, da Emergent Cold LATAM, como moderador, assegura que as discussões terão um alto nível técnico e uma perspectiva fundamentada na realidade operacional. A presença de um líder do maior transportador de contêineres do mundo e de um dos maiores operadores de armazéns refrigerados da região garante que as conversas conectarão a logística marítima global com a infraestrutura terrestre local.

O Dilema da Automação: ROI em Mercados Emergentes

Um dos debates centrais do congresso ocorrerá das 11:30 às 12:15, com o painel de discussão "O Armazém Automatizado para Mercados Emergentes". O tema é particularmente crítico para a América Latina. Diferente de mercados desenvolvidos, onde os altos custos de mão de obra impulsionam a automação, na região o cálculo do retorno sobre o investimento (ROI) é mais complexo. O custo de capital para tecnologias de automação importadas é frequentemente elevado, enquanto a disponibilidade de mão de obra pode ser mais acessível. Este painel buscará dissecar essa equação, explorando os fatores que justificam ou desaconselham investimentos em automação para operadores de 3PL e centros de distribuição de grandes varejistas na região. A discussão provavelmente abordará não apenas os custos, mas também a flexibilidade operacional, a precisão e a segurança que a automação pode oferecer em um ambiente de demanda flutuante.

Mapeando o Terreno e Navegando em Águas Turbulentas

Duas apresentações complementares fornecerão o contexto macro para as decisões estratégicas. A primeira, agendada das 16:55 às 17:30, focará na "Capacidade Instalada de Armazenagem com Temperatura Controlada na América Latina". Esta sessão é fundamental, pois promete fornecer dados concretos sobre a oferta de infraestrutura, permitindo que os participantes comparem a demanda crescente com a capacidade real disponível no mercado. Sem esses dados, qualquer planejamento de expansão ou entrada no mercado é puramente especulativo.

A segunda apresentação, das 14:40 às 15:20, abordará a "América Latina em Meio às Disrupções do Comércio Global". Este tópico é de alta relevância, considerando as tensões geopolíticas, as mudanças nas rotas de navegação e as pressões inflacionárias que afetam as cadeias de suprimentos em todo o mundo. A sessão analisará como a região pode se posicionar para mitigar riscos e, potencialmente, se beneficiar de estratégias de nearshoring e friend-shoring. Para empresas que dependem de importações e exportações de produtos perecíveis, entender essas dinâmicas é vital para a gestão de riscos e a continuidade dos negócios.

O Ecossistema em Ação: Onde os Negócios São Fechados

Além das sessões de conteúdo, o congresso funciona como uma plataforma de negócios cuidadosamente orquestrada. Os patrocínios direcionados revelam quais segmentos da indústria de suporte estão mais ativos e investindo para alcançar os tomadores de decisão. A estrutura dos eventos de networking foi projetada para maximizar a interação produtiva.

Networking em 20 Minutos: O Formato do Cold Chain Café

O Cold Chain Café, programado para o final do primeiro dia, das 17:00 às 18:30, é um exemplo claro dessa abordagem. Patrocinado pela Jamison, uma empresa especializada em portas para câmaras frias, o evento não é um simples intervalo. Durante este período, os participantes se envolverão em até três discussões de 20 minutos cada. Este formato de "speed networking" estruturado força o contato direto e focado, permitindo que os participantes se conectem com um número maior de contatos relevantes em um curto espaço de tempo. O patrocínio da Jamison é um movimento tático, colocando sua marca em um ambiente onde potenciais clientes — operadores de armazéns — estão reunidos para discutir suas necessidades operacionais.

O Papel do Vestuário Técnico: Mais do que um Patrocínio

De forma semelhante, o Almoço de Networking, um bloco mais longo de interação das 12:15 às 14:30, é patrocinado pela RefrigiWear, uma fornecedora de vestuário técnico para ambientes frios. Este patrocínio destaca um aspecto fundamental, mas muitas vezes subestimado, da operação da cadeia de frio: a segurança e a produtividade dos trabalhadores. Ao patrocinar o almoço, a RefrigiWear posiciona sua marca no centro de uma discussão sobre eficiência operacional, lembrando aos gestores que a performance da infraestrutura depende diretamente do bem-estar e da proteção de suas equipes. Juntos, esses patrocínios de fornecedores especializados demonstram a interconexão do ecossistema, onde cada componente, desde as portas das câmaras até as vestimentas dos funcionários, é crucial para a operação geral da cadeia de frio.

Além da Logística: Pode o Alimento Congelado Reduzir o Desperdício?

Para além dos desafios operacionais e comerciais imediatos, uma pauta estratégica de longo prazo está ganhando força dentro do setor. Líderes da indústria da cadeia de frio estão articulando um esforço para pressionar o Congresso a incluir o alimento congelado como uma estratégia formal e reconhecida para a redução do desperdício de alimentos. Este posicionamento busca elevar o setor de um mero prestador de serviços logísticos para um parceiro estratégico em questões de sustentabilidade e segurança alimentar.

A lógica por trás da iniciativa é que a tecnologia de congelamento prolonga significativamente a vida útil dos alimentos, reduzindo perdas ao longo de toda a cadeia de suprimento, desde a pós-colheita até o consumidor final. Se essa iniciativa for bem-sucedida em influenciar políticas públicas, ela poderá gerar benefícios tangíveis para toda a categoria de congelados. Isso poderia incluir desde incentivos regulatórios e fiscais para empresas que investem em infraestrutura de congelamento até campanhas de conscientização pública que melhorem a imagem dos produtos congelados. Para produtores, distribuidores e varejistas, enquadrar a cadeia de frio como uma solução para um problema social e econômico significativo representa uma oportunidade de alinhar os objetivos de negócios com as metas de sustentabilidade, criando um ciclo virtuoso de crescimento e impacto positivo.