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Mercado de Frio na AL: Crescimento de 6,8% em Infraestrutura e Novas Alianças no Varejo

Movimentos recentes no varejo brasileiro indicam uma intensificação da competição na categoria de congelados, impulsionada por alianças estratégicas no e-commerce. A Amazon lançou a operação Amazon Now no Brasil, utilizando a plataforma da Rappi como parceira logística para a…

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Redação Frozen Retail Insider
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Mercado de Frio na AL: Crescimento de 6,8% em Infraestrutura e Novas Alianças no Varejo
Foto de Dominik

A Batalha pela Última Milha Congelada: Como Amazon e MercadoLivre Atacam a Logística?

Movimentos recentes no varejo brasileiro indicam uma intensificação da competição na categoria de congelados, impulsionada por alianças estratégicas no e-commerce. A Amazon lançou a operação Amazon Now no Brasil, utilizando a plataforma da Rappi como parceira logística para a entrega ultrarrápida. Em paralelo, o MercadoLivre realizou uma ação com a rede de atacarejo Assaí, integrando o sortimento de um grande varejista físico à sua plataforma digital.

Essas iniciativas de grandes plataformas digitais, em conjunto com operadores de varejo e logística, demonstram um foco claro na superação do desafio da última milha para produtos sensíveis à temperatura. A capacidade de entregar alimentos congelados de forma rápida, segura e sem interrupção na cadeia de frio é um fator competitivo central. As parcerias buscam resolver essa complexidade logística e operacional, combinando a base de clientes e a tecnologia das plataformas de e-commerce com a infraestrutura física e a capilaridade dos parceiros.

Para distribuidores e operadores logísticos terceirizados (3PL), esses movimentos sinalizam um aumento direto na demanda por soluções de entrega fracionada e em temperatura controlada nos grandes centros urbanos. A necessidade de hubs logísticos urbanos, dark stores equipadas com freezers e frotas de entrega adaptadas para o transporte refrigerado torna-se mais premente. A competição não é mais apenas sobre preço ou variedade de produtos, mas sobre a eficiência e a confiabilidade da operação logística que garante a integridade do produto até a porta do consumidor.

US$ 3 Bilhões até 2035: A Expansão da Infraestrutura de Frio na América Latina

O avanço do varejo de congelados, especialmente no canal digital, depende diretamente da capacidade instalada da cadeia de frio. Dados do setor de refrigeração comercial na América Latina apontam para um ciclo de crescimento consistente e de longo prazo, refletindo um investimento contínuo para suportar essa demanda crescente. O mercado de câmaras frias (walk-in coolers & freezers) na região, que abrange desde grandes centros de distribuição até estoques de retaguarda em lojas, serve como um termômetro preciso desse movimento.

Um Crescimento Anual de 6,8% Impulsiona o Investimento

A análise de projeções para o período de 2025 a 2035 indica que o mercado de infraestrutura de câmaras frias deve quase dobrar na próxima década. Uma estimativa aponta que o valor do mercado saltará de US$ 1,47 bilhão em 2025 para US$ 2,82 bilhões em 2035. Outra projeção, com números ligeiramente diferentes, coloca o valor em US$ 1,6 bilhão em 2025, alcançando US$ 3,0 bilhões em 2035.

Independentemente da cifra exata, a trajetória de crescimento é clara e robusta. Ambas as projeções convergem para uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 6,8% durante o período de dez anos. Este indicador financeiro é fundamental, pois sinaliza aos investidores e operadores do setor que a demanda por capacidade de armazenagem refrigerada não é um pico momentâneo, mas uma tendência estrutural. O crescimento sustentado justifica investimentos de capital em expansão e modernização de instalações em países-chave como Brasil, México, Argentina e Chile.

Por Dentro das Paredes: Por que 68,4% do Mercado de Câmaras Frias é 'Indoor'?

Dentro do segmento de câmaras frias, a análise de segmentação revela uma concentração de investimentos. As unidades internas (indoor) devem representar a fatia dominante, com uma participação de 68,4% do mercado em 2025. Este dado sugere que a maior parte do capital está sendo alocada para expandir a capacidade dentro das quatro paredes de lojas, dark stores e centros de distribuição, em oposição a estruturas externas independentes.

Para gestores de categoria e operações de varejo, essa estatística reflete uma estratégia deliberada. A expansão da capacidade de estocagem no ponto de venda ou em hubs logísticos urbanos é essencial para suportar tanto as vendas em loja física quanto as operações de e-commerce de entrega rápida. A proximidade do estoque ao consumidor final reduz o tempo e a complexidade da última milha, um fator crítico para produtos congelados. A predominância de instalações "indoor" indica uma aposta na descentralização do estoque para aumentar a agilidade e a eficiência da distribuição capilar.

Quem Fabrica o Frio? O Mercado de US$ 11,3 Bilhões e o Domínio de 94% do México

A expansão da cadeia do frio não se limita à infraestrutura comercial. O mercado de equipamentos domésticos, como refrigeradores e freezers, também apresenta uma perspectiva de crescimento significativa na América Latina e no Caribe, criando um ciclo de retroalimentação positiva para o setor.

36 Milhões de Unidades: O Efeito de Tração do Consumidor Final

A projeção para o mercado de eletrodomésticos de refrigeração na região é que ele atinja 36 milhões de unidades vendidas e um valor de US$ 11,3 bilhões até 2035. Esse crescimento no lado do consumidor final cria um forte efeito de tração sobre toda a cadeia de suprimentos. À medida que mais domicílios se equipam com freezers maiores e mais eficientes, a capacidade de armazenamento em casa aumenta. Isso, por sua vez, incentiva a compra de maiores volumes de produtos congelados, mudando o comportamento de compra e aumentando a demanda geral que pressiona varejistas, distribuidores e a indústria de alimentos a expandir sua oferta e sua capacidade logística.

Uma Geografia de Produção Desigual: México vs. Brasil e Colômbia

A produção e exportação desses equipamentos na região, no entanto, é marcada por uma forte concentração geográfica. Em 2024, as exportações de refrigeradores e freezers do México totalizaram US$ 4,1 bilhões. Este valor representa uma fatia dominante de 94% do total das exportações regionais, consolidando o país como o principal hub de produção de hardware de refrigeração para toda a América Latina.

Em comparação, outros países da região têm uma participação residual. A Colômbia ocupa uma distante segunda posição, com US$ 144 milhões em exportações, o que corresponde a uma participação de apenas 3,3%. O Brasil, apesar da dimensão de seu mercado consumidor interno e de seu parque industrial, representa apenas 1,6% das exportações regionais de refrigeradores e freezers. Essa dinâmica de fornecimento de hardware tem implicações diretas para os custos de aquisição e a logística de equipamentos para varejistas e operadores na América do Sul. A dependência de importações do México pode impactar os cronogramas de expansão e os custos de capital para empresas que buscam ampliar sua infraestrutura de frio no Brasil e em países vizinhos.

Convergência de Fatores: O que a Cadeia de Frio Precisa para a Próxima Década?

A convergência desses três fatores — parcerias estratégicas no varejo digital, crescimento robusto da infraestrutura de câmaras frias e um mercado consumidor de eletrodomésticos em expansão com produção concentrada — desenha um cenário de oportunidades e desafios para a cadeia de distribuição. A demanda por produtos congelados está se sofisticando, migrando para canais online que exigem maior capilaridade logística, agilidade e precisão operacional.

O crescimento projetado de 6,8% ao ano no mercado de câmaras frias é um indicador direto de que o setor está investindo para atender a essa nova realidade. O investimento está ocorrendo, e os dados mostram que ele é direcionado para a infraestrutura "indoor", mais próxima do consumidor final. No entanto, a concentração de 94% da produção de equipamentos de refrigeração no México representa um ponto de atenção estratégico para a cadeia de suprimentos de hardware no Brasil e em outros países sul-americanos, podendo criar dependências e vulnerabilidades logísticas.

Para os distribuidores, varejistas e operadores logísticos, a mensagem é clara. A capacidade de armazenagem e, principalmente, de transporte em temperatura controlada para a última milha, será um diferencial competitivo cada vez mais crítico na próxima década. Vencer na categoria de congelados online não dependerá apenas da tecnologia da plataforma ou do acordo comercial, mas fundamentalmente da excelência na execução de uma cadeia de frio complexa, descentralizada e resiliente.