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GCCA Define Agenda da Cadeia do Frio para a Próxima Década em São Paulo

A 10ª edição do Congresso Brasileiro da Cadeia do Frio, realizada em São Paulo nos dias 11 e 12 de junho, reuniu mais de 140 profissionais do setor de logística refrigerada. O evento, organizado pela Global Cold Chain Alliance (GCCA), foi estruturado sob o tema “O Futuro da…

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Redação Frozen Retail Insider
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GCCA Define Agenda da Cadeia do Frio para a Próxima Década em São Paulo
Foto de Natalia Marcelewicz

O que mais de 140 profissionais foram debater sobre os próximos 10 anos da cadeia do frio?

A 10ª edição do Congresso Brasileiro da Cadeia do Frio, realizada em São Paulo nos dias 11 e 12 de junho, reuniu mais de 140 profissionais do setor de logística refrigerada. O evento, organizado pela Global Cold Chain Alliance (GCCA), foi estruturado sob o tema “O Futuro da Logística da Cadeia do Frio: Uma Visão para os Próximos 10 Anos”. A escolha deste enquadramento temático desloca o foco dos debates para além das questões operacionais imediatas, que tradicionalmente dominam encontros setoriais, para um campo de planejamento estratégico de longo prazo. A discussão sobre uma década futura sugere que os desafios percebidos pelo setor — como a necessidade de investimentos em infraestrutura, a adaptação a novas tecnologias e a resposta a pressões regulatórias e de sustentabilidade — exigem um horizonte de planejamento que transcende os ciclos anuais.

A concentração de um número significativo de decisores e especialistas em um único fórum para discutir um período de dez anos indica uma percepção coletiva de que o setor se encontra em um ponto de inflexão. A estabilidade operacional do dia a dia já não é suficiente. É preciso antecipar tendências de consumo, mudanças na matriz energética, novas exigências sanitárias e a digitalização de processos logísticos. O congresso funcionou, portanto, não apenas como uma plataforma de networking, mas como um ambiente para calibrar a visão de futuro dos principais operadores e fornecedores da cadeia, alinhando expectativas e identificando as áreas que demandarão maior capital e atenção nos próximos anos.

Por que a presença conjunta de Arfrio, Friozem, Brasfrigo e Movecta importa para o mercado?

A composição do painel de encerramento do congresso, que contou com a presença de executivos das empresas Arfrio, Friozem, Brasfrigo e Movecta, oferece um sinal claro sobre a dinâmica atual do mercado de armazenagem e logística refrigerada no Brasil. A participação simultânea de operadores deste calibre em um debate sobre o futuro do setor transcende a simples formalidade de um evento. Representa uma articulação estratégica entre concorrentes que, juntos, detêm uma parcela significativa da capacidade de armazenagem e movimentação de produtos refrigerados e congelados no país.

Da Concorrência à Colaboração Estratégica

A presença destes quatro players em um mesmo palco para discutir uma visão de longo prazo indica um esforço coordenado para enfrentar desafios que são comuns a todos. Questões como a padronização de tecnologias de rastreabilidade, a negociação de tarifas de energia, a formação de mão de obra especializada e o diálogo com agências reguladoras são complexas demais para serem resolvidas de forma isolada. A discussão pública conjunta sugere que o setor está buscando um nível de colaboração que pode resultar na definição de práticas e padrões operacionais a serem adotados em larga escala. Este movimento pode ser interpretado como um amadurecimento do mercado, onde a cooperação em áreas pré-competitivas é vista como necessária para o crescimento sustentável do todo.

O Impacto para Distribuidores e Varejistas

Para os clientes destes operadores logísticos — como grandes indústrias de alimentos, distribuidores e redes varejistas —, esta articulação tem implicações diretas. Uma maior padronização de serviços e tecnologias entre os principais provedores de 3PL (Third-Party Logistics) refrigerado pode significar maior interoperabilidade e eficiência na cadeia de suprimentos. Por exemplo, a adoção de sistemas de TI compatíveis ou de protocolos de manuseio uniformes pode simplificar a gestão logística para clientes que utilizam múltiplos fornecedores. Adicionalmente, uma voz mais unificada do setor de logística refrigerada ganha peso em negociações comerciais e, principalmente, em discussões regulatórias. A capacidade de apresentar uma frente coesa perante órgãos governamentais pode acelerar a aprovação de normas que beneficiem a eficiência e a segurança da cadeia do frio, impactando positivamente os custos e a qualidade do serviço para o embarcador.

GCCA Brasil: De organizadora de eventos a articuladora de políticas públicas?

A direção estratégica do evento e da própria associação foi explicitada por Isabela Perazza, Diretora da GCCA Brasil. Em sua declaração, ela afirmou que "a 10ª edição do nosso Congresso reflete não apenas a força da nossa indústria, mas também o compromisso da GCCA em fomentar o conhecimento, o networking e, especialmente, influenciar as políticas públicas para impulsionar o desenvolvimento sustentável da cadeia do frio no Brasil". Esta frase encapsula uma transição no papel da entidade, de mera promotora de encontros para uma agente ativa na formulação do ambiente de negócios do setor.

O Eixo "Influenciar Políticas Públicas": Uma Agenda Proativa

O ponto mais relevante da declaração de Perazza para a cadeia de distribuição é a ênfase em "influenciar políticas públicas". Este posicionamento sinaliza uma mudança de uma postura historicamente reativa, que apenas responde a novas regulações, para uma agenda proativa, que busca participar da construção de um arcabouço legal mais favorável e eficiente. Os resultados práticos dessa articulação podem impactar diretamente os custos operacionais e a competitividade do setor. As áreas de influência potencial incluem a revisão de normas de transporte de perecíveis, a criação de incentivos fiscais para a modernização de frotas e armazéns com tecnologias mais eficientes, a negociação de políticas energéticas que reconheçam a eletro-intensividade da refrigeração industrial e a definição de regulações ambientais que sejam, ao mesmo tempo, rigorosas e exequíveis.

A Demanda por "Desenvolvimento Sustentável"

A menção específica ao "desenvolvimento sustentável" alinha o setor de logística refrigerada às crescentes exigências do mercado consumidor e, consequentemente, do varejo e da indústria. A busca por soluções com maior eficiência energética e menor impacto ambiental deixou de ser uma questão de conformidade ou imagem corporativa para se tornar um fator competitivo. Grandes redes de supermercados e fabricantes de alimentos, pressionados por seus próprios compromissos de ESG (Environmental, Social, and Governance), estão cada vez mais auditando e selecionando seus parceiros logísticos com base em critérios de sustentabilidade. Operadores que investem em sistemas de refrigeração com fluidos de baixo potencial de aquecimento global (GWP), em isolamento térmico de alta performance e em gestão inteligente de energia não apenas reduzem seus custos operacionais, mas também se qualificam para atender a uma parcela mais exigente e valiosa do mercado.

Um Calendário até 2026: Por que a previsibilidade é um ativo estratégico?

A Global Cold Chain Alliance demonstrou uma visão de planejamento de longo prazo ao estabelecer e divulgar um calendário de eventos para os próximos dois anos. Em um setor caracterizado por investimentos de capital intensivo e longos ciclos de maturação — como a construção de armazéns frigorificados ou a renovação de frotas de caminhões refrigerados —, a previsibilidade é um ativo estratégico. Saber com antecedência as datas e locais dos principais fóruns setoriais permite que empresas planejem seus orçamentos, desenvolvam estratégias de participação e alinhem seus ciclos de inovação com as discussões do mercado.

Consistência em São Paulo: O Ponto de Encontro Decisivo

O cronograma divulgado reforça a centralidade de São Paulo como o hub da logística refrigerada no Brasil. O GCCA Brazilian Cold Chain Congress 2025 está agendado para os dias 11 e 12 de junho, e a edição de 2026 já está marcada para 27 e 28 de maio, ambas na capital paulista. A manutenção do evento no principal centro econômico do país não é uma coincidência. A localização facilita o acesso para um grande número de empresas, otimiza a logística para expositores e palestrantes e posiciona o congresso no epicentro das decisões de negócios do Brasil. A consistência na data (meio do ano) e no local cria um ritmo e uma expectativa que solidificam a importância do evento como um ponto de encontro decisivo e inadiável para os profissionais da área.

A Expansão para o México: Sinergias na América Latina?

Além dos eventos no Brasil, o calendário da GCCA inclui a realização do GCCF Cold Chain Institute Latin America 2025, programado para ocorrer de 14 a 16 de julho na Cidade do México. Esta iniciativa indica uma estratégia clara de expandir a influência e a padronização de conhecimento técnico para além das fronteiras brasileiras. A escolha do México é estratégica, pois se trata de outro mercado de grande relevância para a indústria de alimentos e logística na América Latina. O instituto pode funcionar como uma plataforma para a troca de experiências e a criação de sinergias operacionais entre os mercados brasileiro e mexicano. Para empresas com operações em ambos os países, ou com planos de expansão regional, a existência de fóruns de capacitação e networking alinhados sob a mesma bandeira da GCCA pode facilitar a harmonização de processos, a adoção de tecnologias comuns e a compreensão das particularidades regulatórias de cada mercado, fomentando um ecossistema logístico mais integrado na região.