Cold chain

GCCA Brasil reúne 140 profissionais e define pautas de regulação, ESG e M&A para a década

A Global Cold Chain Alliance (GCCA) Brasil realizou seu 10º Congresso Brasileiro da Cadeia do Frio nos dias 11 e 12 de junho em São Paulo. O evento reuniu mais de 140 profissionais do setor de logística refrigerada, funcionando como um termômetro preciso para as questões que…

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Redação Frozen Retail Insider
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GCCA Brasil reúne 140 profissionais e define pautas de regulação, ESG e M&A para a década
Foto de Haoran Wang

Mais de 140 Profissionais, 3 Temas Centrais: O Que o 10º Congresso da GCCA Sinaliza?

A Global Cold Chain Alliance (GCCA) Brasil realizou seu 10º Congresso Brasileiro da Cadeia do Frio nos dias 11 e 12 de junho em São Paulo. O evento reuniu mais de 140 profissionais do setor de logística refrigerada, funcionando como um termômetro preciso para as questões que devem dominar a agenda da indústria na próxima década. As discussões se concentraram em três eixos principais: o ambiente regulatório, a crescente demanda por sustentabilidade e a contínua consolidação do mercado. A densidade e o foco dos debates indicam um setor que busca ativamente moldar seu futuro, em vez de apenas se adaptar a ele.

A escolha de São Paulo como sede para os congressos de 2024, 2025 e 2026 reforça o papel da cidade como o principal hub de negócios e logística do país, concentrando tomadores de decisão e facilitando a participação de empresas de diversas regiões. A presença de mais de 140 participantes nesta 10ª edição confere peso estatístico às conclusões e tendências debatidas, representando uma amostra significativa do pensamento estratégico dos principais players do mercado brasileiro de logística refrigerada.

Uma Visão para 2034: Por Que o Setor Busca Antecipar em Vez de Reagir?

O tema central do encontro, “O Futuro da Logística da Cadeia do Frio: Uma Visão para os Próximos 10 Anos”, orientou todos os painéis e apresentações. A formulação do tema sinaliza uma mudança de postura estratégica na indústria, passando de uma abordagem reativa para uma de antecipação de tendências operacionais, tecnológicas e, crucialmente, regulatórias. Este planejamento de longo prazo é fundamental para um setor que exige altos investimentos em infraestrutura e tecnologia, onde as decisões de hoje impactam a capacidade e a eficiência por muitos anos.

Alinhamento Estratégico entre Operadores e Embarcadores

A composição dos painéis demonstrou um esforço consciente para alinhar as perspectivas de operadores logísticos e grandes embarcadores. A participação de executivos de empresas como Superfrio e Emergent Cold LatAm, ao lado de representantes de gigantes da indústria alimentícia como BRF, Tirol e Bem Brasil, evidencia que as prioridades não estão sendo definidas isoladamente. Este diálogo direto é essencial para garantir que as soluções logísticas desenvolvidas atendam às demandas reais de quem produz e distribui alimentos, desde a eficiência de custos até o cumprimento de normas de qualidade e segurança.

A Influência em Políticas Públicas como Ferramenta de Negócio

Em uma declaração sobre o evento, Isabela, representante da organização, destacou que a 10ª edição reflete o compromisso da GCCA em "fomentar o conhecimento, o networking e, especialmente, influenciar as políticas públicas para impulsionar o desenvolvimento sustentável da cadeia do frio no Brasil". A ênfase explícita em "influenciar as políticas públicas" é um ponto crítico. Isso posiciona a GCCA não apenas como uma associação de fomento, mas como um agente de lobby setorial que busca ativamente um ambiente de negócios mais estável e favorável. Para distribuidores, varejistas e operadores logísticos, cujas operações são diretamente impactadas por mudanças normativas em áreas como vigilância sanitária e transporte, essa atuação é um fator de mitigação de risco e previsibilidade.

Os Três Eixos que Definirão a Competitividade: Regulação, ESG e Consolidação

Três temas principais emergiram de forma consistente ao longo dos dois dias de congresso, sinalizando as áreas de maior atenção e investimento para os operadores logísticos e seus clientes no varejo e na indústria de alimentos. Estes eixos não são independentes; eles se interligam e influenciam mutuamente as estratégias de negócio.

A Mesa com o Regulador: O Diálogo com o Ministério da Agricultura

Um painel dedicado à saúde animal e atualizações regulatórias contou com a presença de representantes do Ministério da Agricultura do Brasil. A participação de membros do governo em um fórum da indústria é um indicador relevante da tentativa do setor de manter um canal de comunicação aberto e técnico sobre as normas que afetam o transporte e a armazenagem de produtos de origem animal. Em vez de uma relação de mera fiscalização, busca-se um diálogo construtivo. Para os distribuidores e operadores de armazéns, essa colaboração pode se traduzir em regulamentações mais claras, práticas e previsíveis, reduzindo a incerteza jurídica e os riscos operacionais associados a interpretações ambíguas da legislação. A presença do regulador no evento permite um feedback imediato da indústria sobre o impacto prático das políticas propostas.

ESG na Prática: De Imagem Corporativa a Fator de Conformidade

A sustentabilidade foi abordada diretamente em uma apresentação de Rosana Blasio sobre responsabilidade ambiental e social na cadeia do frio. A inclusão proeminente do tema na agenda principal do congresso sugere que as práticas ESG (Environmental, Social, and Governance) estão transitando de uma questão de imagem corporativa para se tornarem um fator de conformidade e competitividade. Operadores de 3PL (Third-Party Logistics) e frotas refrigeradas devem esperar uma pressão crescente de embarcadores e varejistas por métricas de sustentabilidade auditáveis em suas operações, como pegada de carbono por palete movimentado ou percentual de uso de energia renovável nos armazéns. A capacidade de fornecer esses dados e demonstrar melhorias contínuas pode se tornar um critério decisivo na seleção de parceiros logísticos.

O Mapa da Concentração: Quem Está Liderando o Movimento de M&A?

A dinâmica do mercado foi o foco de um painel específico com executivos da Superfrio, Emergent Cold LatAm, BRF, Tirol e Bem Brasil. A discussão abordou abertamente a consolidação do mercado, fusões e aquisições (M&A) e a formação de parcerias estratégicas em logística. A presença de players como a Emergent Cold LatAm, que tem sido protagonista em recentes e significativos movimentos de M&A na região, indica que a tendência de concentração no setor de armazenagem refrigerada deve continuar e possivelmente se acelerar.

Para reforçar a centralidade do tema, um painel final contou com representantes de outros operadores logísticos importantes, como Arfrio, Friozem, Brasfrigo e Movecta, que compartilharam suas visões sobre este cenário. A análise que emerge é a de um mercado em transformação, onde a escala se torna cada vez mais importante para diluir custos fixos, investir em tecnologia e oferecer uma rede de cobertura nacional. Para os clientes, essa consolidação pode significar parceiros mais robustos, mas também levanta questões sobre a concentração de poder de mercado e a diversidade de fornecedores.

Roteiro Definido: As Datas e Locais que Já Estão na Agenda do Setor

A GCCA estabeleceu um calendário claro para seus próximos encontros, fornecendo um roteiro previsível para os profissionais da área planejarem sua participação e engajamento. Essa previsibilidade é um ativo valioso, permitindo que empresas de distribuição, varejo e indústria alinhem seus orçamentos e agendas estratégicas com os principais fóruns de discussão do setor.

O próximo Congresso Brasileiro da Cadeia do Frio já está agendado para os dias 11 e 12 de junho de 2025, novamente em São Paulo. A organização demonstrou um planejamento ainda mais avançado ao confirmar também a edição seguinte: 27 e 28 de maio de 2026, mantendo a cidade de São Paulo como o local do evento.

Além dos eventos focados no mercado brasileiro, a organização expande seu foco regional com o GCCF Cold Chain Institute Latin America 2025. Este evento de formação ocorrerá de 14 a 16 de julho de 2025 no Mexico City Marriott Reforma Hotel, no México. A realização de um "Instituto" no México aponta para uma estratégia de harmonização de conhecimentos técnicos e melhores práticas em toda a América Latina. Isso sugere um movimento para criar um padrão regional de qualidade e eficiência, beneficiando empresas que operam em múltiplos mercados latino-americanos e facilitando a integração das cadeias de suprimentos.