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GCCA Brasil: Congresso define agenda da cadeia do frio para a próxima década em São Paulo

A Global Cold Chain Alliance (GCCA) implementou uma estratégia de longo prazo para seu principal evento no Brasil, estabelecendo um calendário fixo que consolida São Paulo como o ponto de encontro anual e centro de decisão para a indústria de logística refrigerada. A…

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Redação Frozen Retail Insider
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GCCA Brasil: Congresso define agenda da cadeia do frio para a próxima década em São Paulo
Foto de Ario Kusumo

Por que São Paulo foi cravado como o centro da cadeia do frio até 2026?

A Global Cold Chain Alliance (GCCA) implementou uma estratégia de longo prazo para seu principal evento no Brasil, estabelecendo um calendário fixo que consolida São Paulo como o ponto de encontro anual e centro de decisão para a indústria de logística refrigerada. A previsibilidade é um fator chave: a programação futura já está definida, com o congresso de 2025 agendado para 11 e 12 de junho, e a edição de 2026 marcada para 27 e 28 de maio.

Essa definição de datas com anos de antecedência é um indicador da maturidade do setor. Mercados voláteis ou em fase inicial de desenvolvimento raramente permitem um planejamento de tão longo prazo. A capacidade de fixar um calendário bienal sinaliza uma indústria com estabilidade, fluxo de investimento contínuo e um interesse sustentado por parte dos seus principais atores em debater tecnologia, regulação e eficiência operacional. Para operadores logísticos, transportadoras, distribuidores e varejistas, essa regularidade permite que o evento seja integrado ao planejamento estratégico e orçamentário, transformando-o de um encontro pontual em um marco recorrente no ciclo de negócios.

A escolha de São Paulo não é acidental. A decisão de sediar o congresso repetidamente na mesma cidade reforça a posição do estado como o principal hub logístico e de consumo do Brasil. A maior parte das operações de distribuição de produtos congelados e resfriados tem origem, destino ou conexão em São Paulo, o que significa que as discussões ocorrem exatamente onde a densidade operacional e o poder de decisão estão concentrados. Manter o evento no epicentro da atividade econômica do setor maximiza a participação de executivos e facilita a conexão entre fornecedores de tecnologia e os maiores compradores.

A previsibilidade como ferramenta estratégica

A fixação das datas até 2026 oferece uma vantagem competitiva para as empresas que participam do ecossistema da cadeia do frio. Fornecedores de equipamentos e tecnologia podem alinhar seus ciclos de desenvolvimento de produtos e estratégias de marketing com o evento. Operadores logísticos podem programar a participação de suas equipes de liderança e operações para absorver as novas tendências e tecnologias discutidas. Para a GCCA, essa consistência fortalece a marca do congresso, tornando-o um compromisso indispensável no calendário da indústria, em vez de um evento que precisa ser promovido do zero a cada ano.

Mais de 140 profissionais e uma visão de 10 anos: o que a 10ª edição do congresso sinalizou?

A 10ª edição do Congresso Brasileiro da Cadeia do Frio, realizada em 11 e 12 de junho em São Paulo, funcionou como um termômetro preciso das prioridades atuais e futuras do setor. A presença de mais de 140 profissionais valida a relevância do fórum como um espaço para networking qualificado e tomada de decisões. O tema central, “O Futuro da Logística da Cadeia do Frio: Uma Visão para os Próximos 10 Anos”, foi uma declaração de intenções, direcionando os debates para além dos desafios operacionais imediatos e focando no planejamento estratégico de longo prazo.

Essa abordagem prospectiva indica que os líderes do setor estão menos preocupados com a sobrevivência no curto prazo e mais focados em como posicionar suas empresas para a próxima década de crescimento, automação e mudanças regulatórias. A discussão não se limitou a como otimizar a rota de um caminhão hoje, mas sim em como a estrutura de rotas e a tecnologia de frota precisarão evoluir nos próximos dez anos.

De networking a lobby: o que significa "influenciar políticas públicas"?

Isabela Perazza, Diretora da GCCA Brasil, articulou o propósito do evento de forma clara, destacando uma ambição que transcende o intercâmbio comercial. Segundo Perazza, a 10ª edição reflete "o compromisso da GCCA em fomentar o conhecimento, o networking e, especialmente, influenciar as políticas públicas para impulsionar o desenvolvimento sustentável da cadeia do frio no Brasil". Esta declaração é um dado crítico para qualquer empresa que opere no setor.

A menção explícita a "influenciar políticas públicas" sinaliza uma mudança no papel da aliança, de uma associação focada em boas práticas e networking para uma entidade com uma agenda de advocacy e lobby. Para distribuidores, operadores de armazéns e transportadoras, isso significa que as discussões e os consensos formados durante o congresso podem se materializar em propostas de regulação para transporte, normas sanitárias, padrões de eficiência energética para armazéns e políticas de incentivo fiscal. Acompanhar esses debates deixa de ser opcional e passa a ser uma necessidade estratégica para antecipar, e potencialmente moldar, futuras mudanças no ambiente de negócios que podem impactar diretamente os custos operacionais e a complexidade regulatória.

Arfrio, Friozem, Brasfrigo e Movecta: quem está definindo a agenda da próxima década?

A composição do painel de encerramento da 10ª edição oferece um mapa claro de quais empresas estão na vanguarda das discussões estratégicas. A presença de executivos da Arfrio, Friozem, Brasfrigo e Movecta indica que os grandes operadores de armazenagem e logística integrada são os principais atores na definição da visão de futuro do setor. Essas quatro empresas representam uma parcela significativa da capacidade de estocagem refrigerada do país.

A participação conjunta desses players sugere que os temas dominantes no debate foram aqueles que mais afetam operações de grande escala: automação de armazéns, consolidação de mercado através de fusões e aquisições, a integração vertical de serviços de transporte e armazenagem para oferecer soluções "one-stop-shop", e a gestão de custos energéticos em grandes instalações. Para distribuidores de menor porte, varejistas e indústrias alimentícias, as estratégias e tecnologias discutidas por esses líderes servem como um barômetro das tendências que, inevitavelmente, impactarão toda a cadeia de suprimentos. As decisões de investimento tomadas por eles hoje definirão os padrões de serviço e os custos de amanhã.

O dinheiro fala: o que os patrocinadores de 2026 revelam sobre os investimentos da indústria?

A análise da lista de patrocinadores já confirmados para o evento de 2026, com dois anos de antecedência, fornece um indicativo claro das áreas que receberão os maiores investimentos e atenção nos próximos anos. A estrutura de patrocínio funciona como um mapa das prioridades tecnológicas e de infraestrutura da indústria, revelando onde o capital está sendo alocado para resolver os principais gargalos e capturar as maiores oportunidades de eficiência.

Platinum: O tripé da modernização (armazenagem, refrigeração e transporte)

Na categoria Platinum, a mais alta, figuram três empresas que representam os pilares da infraestrutura da cadeia do frio: Bertolini, Danfoss e Thermo King. A presença conjunta deste trio aponta para um foco integrado na modernização dos ativos físicos.

A Bertolini, especializada em sistemas de armazenagem, sinaliza um investimento contínuo na otimização da densidade e eficiência dos armazéns. O foco não é apenas em construir mais metros quadrados, mas em maximizar a capacidade cúbica através de estruturas mais altas, corredores mais estreitos e sistemas de estocagem preparados para automação.

A Danfoss, fornecedora de tecnologias de refrigeração e automação, indica uma busca incessante por eficiência energética e controle de temperatura mais preciso. Com os custos de energia sendo um dos principais componentes do custo operacional de um armazém frigorificado, tecnologias que reduzem o consumo e garantem a estabilidade da temperatura são cruciais para a rentabilidade e para a redução de perdas de produto.

A presença da Thermo King, líder em refrigeração para transporte, confirma que a logística de movimentação de cargas permanece como um pilar central. A integridade da cadeia do frio depende da manutenção da temperatura durante o transporte. O patrocínio de uma empresa deste calibre sugere que a agenda do setor abordará de forma integrada a otimização da cadeia desde o armazém até a entrega final, com investimentos em frotas mais eficientes, sistemas de monitoramento em tempo real e soluções para a última milha.

Gold: Onde a otimização de processos encontra a infraestrutura

Na categoria Gold, a lista de patrocinadores revela a próxima camada de investimentos, focada em otimizar os processos que ocorrem dentro da infraestrutura física. A lista inclui Boltrics (software de gestão), Efaflex e Rayflex (portas rápidas), Mayekawa (compressores de refrigeração industrial) e PlotterRacks.

A presença de uma empresa de software como a Boltrics indica a crescente importância dos sistemas de gestão (WMS e TMS) especializados para a cadeia do frio. A indústria está se movendo para uma gestão baseada em dados, buscando rastreabilidade total, otimização de inventário e integração digital entre armazém e transporte.

Efaflex e Rayflex, fabricantes de portas rápidas, destacam a relevância da automação das docas e do controle de ambiente. As docas são um dos pontos mais vulneráveis da cadeia, onde a troca de temperatura pode comprometer o produto e gerar um enorme desperdício de energia. O investimento em portas de alta velocidade minimiza essa exposição, sendo um exemplo de otimização de um ponto crítico do processo.

A Mayekawa, com seus compressores industriais, reforça o foco em equipamentos de refrigeração de grande porte, complementando a Danfoss com componentes robustos para a geração de frio. Coletivamente, esses patrocinadores de nível Gold mostram que, após a modernização da infraestrutura básica (representada pelos patrocinadores Platinum), a próxima fronteira de investimentos para os operadores logísticos brasileiros está na otimização de processos via software e na automação de pontos críticos para extrair o máximo de eficiência dos ativos.