Cold chain

GCCA Brasil: 10º Congresso debate consolidação, gargalos e visão para 2034

A Global Cold Chain Alliance (GCCA) realizou seu 10º Congresso Brasileiro da Cadeia do Frio nos dias 11 e 12 de junho em São Paulo. O evento reuniu mais de 140 profissionais do setor de logística refrigerada, estabelecendo uma plataforma para o debate sobre os desafios…

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Redação Frozen Retail Insider
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GCCA Brasil: 10º Congresso debate consolidação, gargalos e visão para 2034
Foto de Roger Starnes Sr

Com 140 executivos, congresso da GCCA projeta a próxima década da cadeia do frio

A Global Cold Chain Alliance (GCCA) realizou seu 10º Congresso Brasileiro da Cadeia do Frio nos dias 11 e 12 de junho em São Paulo. O evento reuniu mais de 140 profissionais do setor de logística refrigerada, estabelecendo uma plataforma para o debate sobre os desafios estruturais e estratégicos que definirão o mercado nos próximos anos. A escolha do tema central, “O Futuro da Logística da Cadeia do Frio: Uma Visão para os Próximos 10 Anos”, indica um esforço deliberado do setor para transcender as questões operacionais imediatas e focar nas tendências de longo prazo que impactarão a infraestrutura e os modelos de negócio até 2034.

A presença de executivos de alto escalão e representantes governamentais reforça a relevância do encontro como um termômetro para a indústria. A agenda foi dividida entre discussões macroeconômicas, como consolidação de mercado, e desafios micro, como gargalos operacionais diários, refletindo a complexidade de um setor que é fundamental para o abastecimento alimentar e para a balança comercial do país.

Uma agenda para 2034: por que olhar tão à frente?

A decisão de focar em uma visão de 10 anos sinaliza uma maturidade do setor. Em vez de se concentrar apenas em resolver problemas de curto prazo, os líderes da indústria buscam antecipar as transformações em tecnologia, regulação e demandas de consumo. Esta perspectiva de longo prazo é crucial para orientar investimentos de capital intensivo em armazéns, frotas e sistemas, cujos ciclos de vida e retorno financeiro se estendem por décadas. A discussão não se limita a otimizar o presente, mas a construir a infraestrutura necessária para o futuro.

A composição dos painéis e a audiência qualificada sugerem que as decisões tomadas hoje em áreas como automação, sustentabilidade e parcerias estratégicas serão determinantes para a competitividade das empresas brasileiras no cenário global da próxima década. O congresso funcionou, portanto, como um fórum para alinhar essas visões e catalisar ações coordenadas.

BRF e Emergent Cold na mesma mesa: o que a concentração de ativos sinaliza para o mercado?

Um dos painéis de maior peso comercial do evento abordou diretamente a consolidação do mercado, fusões, aquisições e parcerias estratégicas. A discussão contou com a participação de executivos de empresas como Superfrio, Emergent Cold LatAm, BRF, Tirol e Bem Brasil. A configuração do debate ofereceu um panorama preciso da dinâmica atual do setor, que combina operadores logísticos especializados com grandes embarcadores da indústria de alimentos.

A tendência de concentração de ativos logísticos, um movimento observado globalmente, parece destinada a continuar no Brasil. Para distribuidores e operadores de menor porte, essa discussão sinaliza um ambiente competitivo em rápida transformação, onde escala, capilaridade e acesso a capital se tornam fatores cada vez mais cruciais para a sobrevivência e o crescimento.

A dinâmica entre embarcador e operador

A presença conjunta de players como Emergent Cold LatAm, um consolidador de infraestrutura, e BRF, um dos maiores usuários de capacidade de frio do país, é emblemática. De um lado, os operadores buscam ganhar escala para diluir custos fixos e oferecer serviços mais integrados. Do outro, grandes produtores de alimentos como BRF, Tirol e Bem Brasil dependem dessa infraestrutura para garantir a integridade de seus produtos e a eficiência de sua distribuição nacional e internacional.

Este painel expôs a interdependência e as tensões inerentes a essa relação. Enquanto os operadores buscam rentabilizar seus ativos, os embarcadores pressionam por custos menores e níveis de serviço mais elevados. As parcerias estratégicas surgem como uma solução intermediária, permitindo que ambos os lados compartilhem riscos e benefícios, otimizando a utilização da capacidade instalada.

A estratégia de escala e o impacto para operadores regionais

A Emergent Cold LatAm é conhecida por sua estratégia agressiva de aquisições na região, construindo uma rede de armazéns refrigerados em pontos estratégicos. Essa abordagem de consolidação cria operadores de grande porte com poder de negociação e capacidade de investimento em tecnologia que são difíceis de igualar para empresas familiares ou regionais. Para esses players menores, a mensagem do congresso é clara: a competição baseada apenas em preço é insustentável. A diferenciação através de serviços de nicho, especialização em determinados produtos ou excelência operacional em geografias específicas torna-se um caminho mandatório.

Do armazém à gôndola: por que Arfrio, Friozem e Brasfrigo debatem os mesmos gargalos?

Em contraponto às discussões estratégicas de alto nível, outro painel focou nos desafios práticos que afetam a eficiência diária da cadeia. Representantes de operadores logísticos de peso como Arfrio, Friozem, Brasfrigo e Movecta debateram os atuais gargalos operacionais do setor. A unanimidade dos problemas levantados por empresas de diferentes perfis e regiões geográficas indica que as deficiências são sistêmicas e não pontuais.

Esses desafios impactam diretamente a cadeia de abastecimento do varejo, resultando em custos mais elevados, maior consumo de combustível, desgaste de frota e potenciais rupturas no fornecimento de produtos congelados e resfriados. A eficiência na resolução desses gargalos é um fator determinante não apenas para a competitividade dos distribuidores, mas para a disponibilidade e o preço final dos produtos nas gôndolas dos supermercados.

O custo real da ineficiência logística

Os gargalos discutidos vão desde a infraestrutura rodoviária precária até a falta de padronização nos processos de recebimento em centros de distribuição e no varejo. Longos tempos de espera para carga e descarga, janelas de entrega restritas e burocracia excessiva geram custos diretos e indiretos. O custo direto se manifesta no maior consumo de diesel para manter a refrigeração do caminhão parado e no pagamento de horas extras para motoristas. O custo indireto, muitas vezes mais significativo, está na subutilização de ativos valiosos — um caminhão que poderia fazer três entregas por dia acaba fazendo apenas uma ou duas.

A necessidade de investimento em tecnologia e processos

A discussão entre esses importantes operadores logísticos aponta para a necessidade urgente de investimentos em tecnologia e na otimização de processos para superar deficiências que persistem no transporte e na armazenagem refrigerada no Brasil. Soluções como sistemas de agendamento de docas (dock scheduling), telemetria avançada para controle de temperatura em tempo real e plataformas de gestão de transporte (TMS) foram apontadas como ferramentas essenciais. Contudo, a implementação bem-sucedida dessas tecnologias depende de uma colaboração mais estreita entre todos os elos da cadeia, incluindo transportadores, operadores de armazéns e o varejo.

Gripe Aviária em pauta: como o Ministério da Agricultura calibra o risco na cadeia logística?

A interface entre o setor privado e o poder público foi um ponto central do congresso, com um painel dedicado a atualizações regulatórias e de saúde animal que contou com representantes do Ministério da Agricultura do Brasil. A discussão sobre os impactos da Gripe Aviária foi um dos destaques, evidenciando a vulnerabilidade de toda a cadeia logística a choques sanitários externos.

Para empresas que movimentam e armazenam bilhões de reais em produtos de origem animal, a participação do governo no evento é um sinal importante. O debate sobre a Gripe Aviária reforça a necessidade de planos de contingência robustos e de uma colaboração estreita com as autoridades para garantir a segurança alimentar, a continuidade das operações de exportação e o abastecimento doméstico. As decisões regulatórias que surgem de cenários de crise como este afetam diretamente os protocolos de transporte, armazenagem e segregação de produtos.

A vulnerabilidade da cadeia de proteína animal

O Brasil, como um dos maiores exportadores de proteína animal do mundo, opera sob constante escrutínio dos mercados internacionais. Um evento sanitário como um surto de Gripe Aviária pode levar ao fechamento imediato de mercados importadores, gerando um efeito cascata na logística. Produtos destinados à exportação precisam ser redirecionados, armazenados por mais tempo ou escoados no mercado interno, causando uma pressão imensa sobre a capacidade de estocagem fria e alterando todo o planejamento logístico. A discussão no congresso serviu para alinhar o setor privado sobre os protocolos do Ministério da Agricultura e discutir formas de mitigar os impactos operacionais e financeiros de uma eventual crise.

Além do operacional: a agenda ESG e a expansão da GCCA para 2026

A visão de futuro do congresso foi complementada por uma apresentação de Rosana Blasio sobre responsabilidade ambiental e social (ESG) na cadeia do frio. O tema, de crescente importância para investidores, clientes e consumidores, está se tornando um componente central na estratégia das empresas do setor. A fala de Isabela, representante da GCCA, sintetizou o objetivo do evento e da organização.

“A 10ª edição do nosso Congresso reflete não apenas a força da nossa indústria, mas também o compromisso da GCCA em fomentar o conhecimento, o networking e, especialmente, influenciar políticas públicas para impulsionar o desenvolvimento sustentável da cadeia do frio no Brasil”, afirmou Isabela. A declaração posiciona a GCCA não apenas como uma organizadora de eventos, mas como um agente ativo na formulação de políticas e na promoção de melhores práticas para o setor.

O roteiro da GCCA para a América Latina

A organização já confirmou a continuidade de seus eventos, sinalizando um compromisso de longo prazo com o desenvolvimento do setor no Brasil e na América Latina. O próximo Congresso Brasileiro da Cadeia do Frio está agendado para 11 e 12 de junho de 2025, e a edição seguinte para 27 e 28 de maio de 2026, ambas em São Paulo. Além disso, a GCCA expande sua atuação regional com o GCCF Cold Chain Institute Latin America 2025, que ocorrerá de 14 a 16 de julho de 2025 na Cidade do México. Essa expansão geográfica indica o reconhecimento da crescente integração das cadeias de suprimentos latino-americanas e a necessidade de harmonizar conhecimentos e práticas em toda a região.