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FM Logistic: Hubs de proximidade e frota sustentável para a última milha

A FM Logistic implementa hubs de micrologística e uma frota de energia sustentável para otimizar entregas urbanas, um modelo que endereça os desafios da distribuição de congelados em centros congestionados.

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Ricardo Almeida
Editor
FM Logistic: Hubs de proximidade e frota sustentável para a última milha
Foto de Haberdoedas

Como uma Rede de 33 Países se Adapta à Logística Urbana?

A FM Logistic, com operações no setor de frete e transporte iniciadas em 1967, opera com uma estrutura dual que articula uma vasta escala internacional com uma execução focada nos desafios da logística urbana. A companhia gerencia uma rede rodoviária que abrange mais de 33 países, um alcance geográfico que permite a movimentação de cargas em um escopo continental. Este sistema é complementado por uma malha ferroviária de mais de 25.000 quilômetros, especificamente na rota da seda, indicando uma capacidade para operações logísticas de longa distância e intercontinentais. A dimensão dessas operações é quantificada por um volume total de 2,3 milhões de entregas, um número que reflete a intensidade de sua atividade na cadeia de suprimentos global.

A longevidade da empresa, com mais de meio século de atividade, a posiciona de forma distinta em mercados como o brasileiro, onde coexiste com operadores de fundação mais recente. Essa experiência histórica em logística de grande escala fornece a base sobre a qual suas estratégias de última milha são construídas. O desafio central para a FM Logistic consiste em traduzir a complexidade e a eficiência de uma rede global para as particularidades microgeográficas da entrega em grandes centros urbanos, onde as condições operacionais são radicalmente diferentes das do transporte de longa distância.

Da Rota da Seda aos Centros Históricos: A Escala em Perspectiva

A infraestrutura da FM Logistic demonstra uma capacidade de operar em múltiplos níveis da cadeia logística. A rede ferroviária de 25.000 km na rota da seda representa a espinha dorsal de um sistema capaz de movimentar grandes volumes de mercadorias entre continentes. Por outro lado, a rede rodoviária em 33 países serve como o sistema circulatório que distribui esses volumes para redes de distribuição regionais e nacionais. É a partir dessa macroestrutura que a empresa precisa derivar soluções ágeis para a etapa final da entrega, um segmento que exige um conjunto de competências operacionais completamente diferente. A transição de um modelo de transporte massificado para um de entregas pulverizadas e de alta frequência é o principal ponto de articulação de sua estratégia.

Acesso a Centros Congestionados: Qual a Estratégia de Veículos e Hubs?

A distribuição em metrópoles densas e com restrições de circulação impõe barreiras significativas à logística convencional. Para superar esses obstáculos, a FM Logistic implementa uma estratégia baseada em hubs de proximidade multicliente e de micrologística. O objetivo desta abordagem é descentralizar o estoque, posicionando os produtos mais perto do consumidor final. Esta tática é particularmente crítica para cadeias de suprimentos que dependem de controle de temperatura, como a de alimentos congelados, onde a redução do tempo de trânsito é fundamental para manter a integridade do produto e a conformidade com as normas de segurança alimentar. A proximidade reduz a exposição a variações de temperatura e minimiza o risco de quebra da cadeia de frio durante a última milha.

Uma Frota Diversificada para Navegar na Complexidade Urbana

A capacidade declarada da empresa de acessar todos os centros históricos e congestionados das cidades é um diferencial operacional que depende diretamente da composição de sua frota de entrega. Para garantir essa capilaridade, a FM Logistic emprega uma gama variada de veículos, adaptando a modalidade de transporte às características específicas de cada rota e às regulamentações locais.

As opções de veículos incluem:

  • Métodos de entrega suave: Para áreas de acesso ultrarrestrito ou para otimizar entregas em curtas distâncias, a empresa utiliza bicicletas de carga e entregadores a pé.
  • Veículos de baixa emissão: A frota motorizada é composta por veículos elétricos, a hidrogênio (H2) ou movidos a biocombustível, o que facilita o acesso a zonas de baixas emissões (LEZ) e atende a critérios de sustentabilidade.
  • Soluções multimodais: A empresa afirma utilizar uma combinação de diferentes modos de transporte dependendo do trajeto, otimizando a rota desde o hub de proximidade até o destino final.

Essa diversificação não é apenas uma resposta a imperativos ambientais, mas uma ferramenta estratégica para garantir a eficiência e a viabilidade das entregas em ambientes urbanos complexos.

Redução de 35% em CO2: Como a Sustentabilidade se Torna uma Vantagem Competitiva?

A composição da frota é um pilar central na estratégia de sustentabilidade e eficiência da FM Logistic. A empresa afirma que a maior parte de sua frota, seja própria ou de subcontratados, utiliza fontes de energia sustentáveis, como hidrogênio ou eletricidade. Esta orientação estratégica cumpre uma dupla função. Primeiramente, responde à crescente demanda de clientes e reguladores por operações logísticas com baixa pegada de carbono. Em segundo lugar, funciona como um instrumento prático para garantir o acesso a zonas de restrição de emissões, que estão se tornando cada vez mais comuns em grandes cidades ao redor do mundo. A posse de uma frota "verde" transforma-se, assim, de um custo de conformidade em uma vantagem competitiva, permitindo operar onde concorrentes com frotas convencionais podem ser barrados.

O Mecanismo do Pooling para Otimização de Cargas

Um dos resultados quantificáveis mais significativos apresentados pela empresa é a redução de 35% nas emissões de CO2, um feito alcançado através de sua solução de pooling. O conceito de pooling, ou agrupamento de cargas, consiste em consolidar remessas de múltiplos clientes em um único veículo. Esta prática otimiza a taxa de ocupação dos caminhões e, consequentemente, reduz o número total de viagens necessárias para entregar o mesmo volume de produtos.

Para distribuidores de produtos congelados, os benefícios são diretos. A otimização do transporte pode resultar em custos de frete mais competitivos, uma vez que os custos fixos de cada viagem são diluídos por um volume maior de mercadorias. Adicionalmente, a redução da pegada de carbono associada a cada entrega torna-se um indicador de desempenho cada vez mais valorizado por grandes redes varejistas e consumidores finais, que incorporam critérios de sustentabilidade em suas decisões de compra e na seleção de fornecedores.

Global vs. Local: FM Logistic de 1967 Enfrenta a Loggi de 2013?

O cenário da logística de última milha no Brasil é caracterizado pela presença de operadores com diferentes perfis e históricos. Entre eles está a Loggi, uma empresa fundada em 2013 e sediada em São Paulo. A presença de um player local, nativo digital e estabelecido há quase uma década, ilustra a dinâmica competitiva do setor. Neste mercado, operadores globais com uma longa trajetória, como a FM Logistic, fundada em 1967, coexistem e competem com empresas focadas em soluções tecnológicas para os desafios específicos da entrega urbana brasileira. A diferença de quase 50 anos entre as datas de fundação das duas empresas sublinha a coexistência de modelos de negócio distintos: um baseado em escala global e infraestrutura física consolidada, e outro em agilidade, tecnologia e profundo conhecimento do mercado local.

O Dilema do Gestor de Supply Chain: Escala ou Especialização Local?

Para os gestores da cadeia de suprimentos de alimentos congelados, a escolha de um parceiro logístico (3PL) envolve a análise de múltiplas variáveis. A capacidade de um operador como a FM Logistic de oferecer uma gama diversificada de veículos sustentáveis e garantir acesso a áreas restritas pode ser um fator decisivo, especialmente para produtos termossensíveis que precisam ser entregues em bairros centrais com alta densidade e regulamentação. A sua vasta rede internacional também pode ser um atrativo para empresas que necessitam de uma solução logística integrada, desde a importação até a entrega final.

Por outro lado, a agilidade, a plataforma tecnológica e o conhecimento granular do mercado local de empresas como a Loggi representam um contraponto importante. Esses operadores podem oferecer soluções mais flexíveis e adaptadas às idiossincrasias do trânsito e da cultura de entrega local. A decisão final para um gestor de logística dependerá de um alinhamento preciso entre a malha de distribuição do produto, os requisitos de sustentabilidade, a sensibilidade ao custo e a necessidade de cobertura geográfica. A escolha recairá sobre o provedor cuja especialização — seja em escala global e sustentabilidade ou em agilidade tecnológica local — melhor se encaixe com as prioridades estratégicas da cadeia de suprimentos.