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Congresso GCCA 2026 Foca em Custos, Portos e Regulação para a Cadeia do Frio no Brasil

A Global Cold Chain Alliance (GCCA) estabeleceu data e local para seu próximo encontro estratégico no Brasil, agendando o Congresso GCCA Brasil Cold Chain 2026 para os dias 27 e 28 de maio em São Paulo. Uma análise detalhada da programação e dos participantes confirmados revela…

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Redação Frozen Retail Insider
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Congresso GCCA 2026 Foca em Custos, Portos e Regulação para a Cadeia do Frio no Brasil
Foto de Isabella Ibraim

O que define a agenda de 2026? Custo, infraestrutura e a voz do cliente.

A Global Cold Chain Alliance (GCCA) estabeleceu data e local para seu próximo encontro estratégico no Brasil, agendando o Congresso GCCA Brasil Cold Chain 2026 para os dias 27 e 28 de maio em São Paulo. Uma análise detalhada da programação e dos participantes confirmados revela uma agenda estritamente pragmática, desenhada para abordar os pontos de pressão que determinam a rentabilidade e a eficiência da logística de temperatura controlada no país. Os debates propostos se afastam de generalidades para focar em três eixos centrais: a estrutura de custos operacionais, os gargalos de infraestrutura física e as exigências diretas dos embarcadores, que são os clientes finais do serviço logístico.

A seleção de temas e palestrantes indica que a organização busca fornecer aos participantes não apenas um panorama do setor, mas ferramentas e análises concretas para a tomada de decisão. A discussão sobre custos, por exemplo, foi dividida em seus dois componentes mais críticos para um armazém frigorificado: energia e impostos. Da mesma forma, a análise da infraestrutura abrange desde a eficiência dos terminais portuários até a disponibilidade e o custo de imóveis industriais especializados. Essa abordagem granular sinaliza a maturidade do debate setorial, movendo-se em direção à resolução de problemas específicos que impactam diretamente o balanço das empresas.

Um compromisso de longo prazo? A sequência de eventos da GCCA na América Latina.

A realização do congresso em 2026 não é um fato isolado, mas parte de uma estratégia de engajamento contínuo da GCCA com a região. A consistência das atividades da aliança, que tem sua sede internacional em Arlington, Virgínia, nos Estados Unidos, aponta para uma visão de longo prazo para os mercados brasileiro e latino-americano, que são fundamentais na cadeia global de alimentos.

Liderança híbrida: a conexão entre Arlington e São Paulo

A estrutura de governança do evento materializa a estratégia da aliança de combinar supervisão global com execução e conhecimento local. A presença confirmada de Sara Stickler, Presidente e CEO da GCCA global, assegura o alinhamento com as diretrizes e o alcance internacional da organização. Em contrapartida, a liderança local é exercida por Fabio Fonseca, que acumula a posição de CEO da Friozem, um dos principais operadores logísticos do país, com a de Presidente do Conselho Consultivo da GCCA Brasil. Este modelo de liderança híbrida é projetado para garantir que as discussões sejam relevantes para a realidade do mercado brasileiro, ao mesmo tempo em que se beneficiam da perspectiva e dos recursos de uma entidade global. A articulação entre a visão macro, vinda da sede nos EUA, e a aplicação prática, liderada por um executivo que vivencia os desafios diários da operação no Brasil, é um dos pilares da proposta de valor do evento.

Mais que um evento isolado: a cadência de 2025 e 2026

A importância estratégica do Brasil para a GCCA é reforçada pela frequência de seus eventos. O congresso de 2026 é a continuação direta de uma série de encontros. Ele sucede o Congresso GCCA Brazilian Cold Chain 2025, agendado para 11 e 12 de junho do ano anterior, também em São Paulo. Além disso, a aliança promove o GCCF Cold Chain Institute Latin America, cuja edição de 2025 ocorrerá de 14 a 16 de julho na Cidade do México, no Mexico City Marriott Reforma Hotel. Essa sequência de eventos em um intervalo de 12 meses – dois no Brasil e um no México – demonstra um investimento consistente em capacitação e networking na América Latina. Para os membros e empresas do setor, essa cadência oferece pontos de contato regulares para atualização e negócios, consolidando a presença da aliança como uma plataforma permanente de desenvolvimento para a cadeia do frio na região.

Onde a margem é pressionada? Energia e impostos sob o microscópio.

Os dois maiores componentes de custo variável e fixo para qualquer operador de armazéns frigorificados – energia e tributos – receberão atenção especial na agenda de 2026. A escolha de especialistas com atuação direta tanto no setor privado quanto em entidades de classe indica que o objetivo é ir além da análise superficial, buscando um debate sobre estratégias de mitigação e posicionamento setorial.

A equação energética: quem responde pela principal despesa operacional?

O custo da energia elétrica, insumo vital e uma das principais linhas de despesa na operação de refrigeração, será o foco da apresentação de Alexei Vivan. Sua qualificação para abordar o tema é robusta e multifacetada: ele é Presidente da Associação Brasileira das Empresas de Comercialização de Energia (ABCE), Presidente do Sindicato da Indústria da Energia no Estado de São Paulo (SindiEnergia/SP) e Diretor de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), além de sócio no escritório CGM Advogados. Essa confluência de papéis posiciona Vivan como uma fonte de análise sobre o cenário regulatório, as tendências de preços no mercado livre e cativo, e as políticas energéticas que impactarão diretamente a competitividade das empresas de logística de frio. A discussão promete entregar uma visão 360 graus, do regulatório ao prático, sobre a gestão deste custo crítico.

Navegando a reforma tributária: a estratégia proativa do setor

Paralelamente à frente energética, o impacto do novo sistema fiscal brasileiro será dissecado por Marcos Fonseca. Sua perspectiva é duplamente relevante: como CFO da Friozem, ele lida com as implicações financeiras diretas da legislação tributária na operação logística; como líder do Grupo de Trabalho de Reforma Tributária da GCCA Brasil, ele está na vanguarda da articulação do setor para entender e influenciar as novas regras. A inclusão deste painel é um reconhecimento de que a reforma tributária não é um tema passivo, mas um fator que exige análise e posicionamento ativo. As conclusões deste debate são de interesse direto não apenas para os operadores logísticos, mas também para seus clientes, uma vez que eventuais aumentos na carga tributária sobre os serviços de armazenagem e transporte serão, inevitavelmente, repassados na cadeia de suprimentos. A análise será complementada pela visão de Denilson Lopes, Economista Sênior na FIESP, que trará o contexto macroeconômico para a discussão fiscal e de custos.

Do navio à doca: os gargalos físicos da cadeia do frio

A eficiência da logística de produtos congelados, especialmente no comércio exterior, é diretamente dependente da capacidade e da fluidez da infraestrutura física. O congresso de 2026 abordará essa questão em duas frentes complementares: a operação nos terminais portuários e o mercado imobiliário para armazéns especializados.

O pulso dos portos: Movecta, Iceport/Portonave e BTP em debate

Para discutir a interface crítica entre o transporte marítimo e a armazenagem terrestre, o evento reunirá executivos de três importantes operadores de terminais. Gustavo Paschoa, Diretor Comercial da Movecta, Bruno Vargas, Gerente da Iceport/Portonave, e André Magalhães, Diretor Comercial da BTP Terminais, trarão suas perspectivas sobre os desafios operacionais. O debate entre esses atores tende a focar em questões como tempo de espera para atracação, eficiência no carregamento e descarregamento de contêineres reefer, capacidade de tomadas para contêineres refrigerados e a integração de sistemas com os transportadores rodoviários e armazéns. Para importadores e exportadores de alimentos, a eficiência desses terminais é um fator determinante para a manutenção da integridade da cadeia de frio e para a competitividade de seus produtos no mercado global.

O fator imobiliário: onde construir e a que custo?

A discussão sobre infraestrutura se estenderá para além dos portões do porto com a participação de Rodrigo Couto, Diretor Industrial e de Logística da consultoria imobiliária CBRE. Sua análise trará a perspectiva do mercado de real estate, focando nas tendências de desenvolvimento, ocupação e custos de armazéns frigorificados. Questões como a disponibilidade de terrenos em localizações estratégicas, os custos de construção de instalações com temperatura controlada, as taxas de vacância em diferentes regiões do país e os valores de locação são informações vitais para empresas que planejam expandir sua malha logística ou reavaliar a localização de seus centros de distribuição. A visão de um especialista da CBRE oferece um panorama de mercado essencial para decisões de investimento de capital de longo prazo.

O que o cliente final exige? Minerva e Tirolez apresentam suas demandas

A avaliação final da eficácia de qualquer cadeia logística é determinada pela satisfação de seus usuários. O congresso de 2026 colocará essa perspectiva no centro do debate, trazendo dois grandes embarcadores de segmentos distintos para apresentar suas demandas, desafios e expectativas em relação aos seus parceiros logísticos.

A perspectiva da exportação de proteína: o caso da Minerva Foods

Representando o setor de proteína animal, um dos pilares da exportação brasileira, estará Michel Oliveira, Gerente Executivo de Logística Internacional da Minerva Foods. Sua participação trará a visão de um grande exportador, cujas necessidades logísticas são complexas e de escala global. As demandas da Minerva Foods provavelmente se concentrarão na agilidade dos processos portuários, na garantia de conformidade com as rigorosas normas sanitárias de mercados importadores (como Europa, Ásia e América do Norte), na disponibilidade de equipamentos (contêineres reefer) e na tecnologia de rastreamento e monitoramento de temperatura em tempo real ao longo de todo o trajeto.

A complexidade do mercado interno: a logística de laticínios da Tirolez

Em contraponto à logística de exportação, Robson Kabke Leitzke, Gerente Executivo de Logística da Tirolez, apresentará os desafios do setor de laticínios, focado primariamente no mercado doméstico. A logística de produtos refrigerados e congelados como os da Tirolez possui uma dinâmica própria, marcada pela necessidade de uma distribuição capilarizada para atender a milhares de pontos de venda, pela gestão de produtos com prazos de validade mais curtos e pela complexidade de operar com diferentes faixas de temperatura. A presença conjunta desses dois executivos permitirá um diálogo direto e transparente entre provedores de serviços e clientes, focando em como a indústria de logística de frio pode se adaptar para atender com mais eficiência tanto às demandas da exportação de commodities quanto à complexidade da distribuição de bens de consumo no varejo nacional.

Além da operação: o mapa de riscos regulatórios, geopolíticos e de seguros

A agenda do congresso reconhece que as operações logísticas não existem em um vácuo, estando sujeitas a um ambiente complexo de regulamentações, riscos financeiros e eventos geopolíticos. Uma seção do evento será dedicada a analisar e propor estratégias para navegar neste cenário.

Conformidade e segurança alimentar: da regulação ao foodservice

A importância da conformidade regulatória será abordada por Vivianne Moreira Leite. Sua dupla função como Co-Owner da CAP Logística Frigorificada e Presidente do Comitê de Segurança Alimentar e Regulatório da GCCA Brasil lhe confere uma visão pragmática, conectando as exigências normativas com a realidade operacional. A discussão será enriquecida pela perspectiva do canal de foodservice, trazida por Cristina Souza, CEO da Tanjerin e Vice-Presidente de Foodservice da ABIESV. O segmento de restaurantes e serviços de alimentação possui requisitos de rastreabilidade, fracionamento e entrega que impõem desafios logísticos específicos, tornando sua análise crucial para operadores que atendem este mercado em crescimento.

Mitigação de perdas: o papel do seguro e a influência global

O debate sobre risco se estenderá à mitigação de perdas financeiras, com a participação de especialistas em seguros. Fabiana Peres, CEO do Grupo Mil Seguros, e Oswaldo Caruso Jr., Engenheiro de Riscos da Acrisure, discutirão a gestão de seguros para operações de alto valor, cobrindo desde a prevenção de sinistros em armazéns até a cobertura de cargas em trânsito. Este foco em gestão de risco é contextualizado pelas próprias atividades da GCCA em nível global. A organização demonstrou estar atenta ao cenário internacional ao emitir relatórios sobre as disrupções causadas pelo conflito no Oriente Médio em abril e maio de 2026, e ao se posicionar favoravelmente à aprovação do "Farm, Food, and National Security Act of 2026" nos Estados Unidos. Esses exemplos mostram que as discussões sobre risco no congresso brasileiro estão inseridas em um quadro mais amplo de instabilidades geopolíticas e políticas comerciais que afetam toda a cadeia de suprimentos global.