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Congelados: Mercado de US$ 400 bi colide com novas barreiras regulatórias e logísticas em 2026

O setor global de alimentos congelados entra em 2026 com uma base de crescimento sólida, mas confrontado por um ambiente operacional de complexidade crescente. Para os distribuidores e retalhistas da América Latina, o desafio é duplo: capitalizar a procura global enquanto…

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Redação Frozen Retail Insider
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Congelados: Mercado de US$ 400 bi colide com novas barreiras regulatórias e logísticas em 2026
Foto de clement proust

US$ 403 biliões ou US$ 394 biliões? A rota de crescimento do mercado de congelados até 2032

O setor global de alimentos congelados entra em 2026 com uma base de crescimento sólida, mas confrontado por um ambiente operacional de complexidade crescente. Para os distribuidores e retalhistas da América Latina, o desafio é duplo: capitalizar a procura global enquanto navegam por investimentos em infraestrutura regional e um emaranhado de novas regulações digitais e ambientais que redesenham as regras de exportação. A dimensão da oportunidade é definida pela escala do mercado. As projeções indicam um avanço significativo, embora as estimativas variem ligeiramente nos detalhes.

Uma análise aponta que o mercado, avaliado em cerca de 280,56 mil milhões de dólares em 2025, deverá atingir aproximadamente 403,59 mil milhões de dólares até 2032. Uma projeção concorrente, que utiliza um horizonte temporal diferente, estima que o setor avançará de 311,74 mil milhões de dólares em 2025 para 394,93 mil milhões de dólares até 2030. Apesar das diferenças nos valores absolutos e nos períodos de projeção, a convergência dos dados aponta para uma tendência inequívoca: uma procura global robusta e em expansão por produtos congelados.

CAGR entre 4,65% e 4,84%: A matemática por trás da pressão logística

As taxas de crescimento composto anual (CAGR) que sustentam estas projeções situam-se num intervalo estreito, entre 4,65% e 4,84%, segundo as diferentes fontes. Este crescimento, embora não explosivo, é consistente e representa a força motriz por trás das pressões operacionais que se acumulam na cadeia de abastecimento. Para os operadores logísticos, retalhistas e exportadores, um crescimento anual próximo dos 5% traduz-se num aumento de volume previsível mas implacável. Esta cadência pressionará a capacidade de armazenamento refrigerado, a disponibilidade de contentores reefer e a eficiência dos terminais portuários. A gestão eficaz deste crescimento constante é o que separa a capitalização da oportunidade da subjugação pela procura.

R$ 20 biliões no Brasil, milhões de TEUs no Pacífico: A corrida pela capacidade portuária

A América Latina responde a esta pressão de volume com investimentos estratégicos e de grande escala na sua infraestrutura portuária, tanto na costa atlântica como na do Pacífico. Estes projetos não são meras atualizações; são respostas diretas à necessidade de maior capacidade para escoar produtos para os mercados globais e evitar que os portos se tornem o principal estrangulamento da cadeia de frio.

O plano brasileiro para os portos de Paranaguá, Santos e Rio de Janeiro

O Brasil anunciou um plano de infraestrutura portuária que prevê cerca de 20 mil milhões de reais em investimentos até 2026. O plano foca-se em áreas críticas para o escoamento de produtos, com licitações previstas para os portos de Paranaguá, Santos e Rio de Janeiro. Estes três complexos portuários são vitais para as exportações brasileiras de alimentos, incluindo carnes e outros produtos que dependem da cadeia de frio. O investimento visa modernizar terminais, aprofundar canais de navegação e otimizar a logística terrestre de acesso, preparando o país para lidar com o aumento de volume projetado para os próximos anos.

Do Peru ao Equador: A expansão na costa do Pacífico

A movimentação não se restringe ao Brasil. Na costa do Pacífico, os investimentos são igualmente notáveis e estratégicos para servir os mercados asiáticos e norte-americanos. No Peru, o porto de Callao já beneficia de grandes expansões, como o Cais Bicentenário, que resultaram num aumento significativo na movimentação recente de cargas. Este projeto aumenta a capacidade de Callao para manusear navios de maior porte e agilizar as operações. No Equador, o terminal de águas profundas do Porto de Posorja está em processo de expansão para aumentar a sua capacidade para cerca de 1,4 milhões de TEUs (unidades equivalentes a vinte pés) até 2026. Este aumento de capacidade é uma resposta direta à crescente procura por produtos equatorianos, como camarão e banana, nos mercados internacionais.

A fronteira digital: Por que a rastreabilidade já não é opcional

Enquanto a infraestrutura física se expande para acomodar mais volume, uma barreira digital e regulatória ergue-se nos principais mercados importadores. A era da documentação em papel e dos processos de conformidade analógicos está a terminar rapidamente, dando lugar a exigências de registo e partilha de dados digitais que afetam diretamente a viabilidade das exportações latino-americanas. A conformidade digital deixou de ser uma vantagem competitiva para se tornar uma condição de acesso ao mercado.

FSMA 204, ICS2, CIFER: O novo léxico regulatório para exportadores

Os exportadores da região precisam de dominar um novo conjunto de acrónimos e regulamentos para garantir que as suas cargas chegam ao destino. Nos Estados Unidos, a Food Traceability Rule (FSMA 204) tornou obrigatório o registo digital de eventos e dados críticos para uma lista de alimentos considerados de alto risco, exigindo uma transparência sem precedentes ao longo da cadeia de abastecimento.

A partir de setembro de 2025, a União Europeia também tornou mandatória a apresentação de dados de entrada para o Import Control System 2 (ICS2), um sistema de segurança que requer informações detalhadas sobre a carga antes mesmo de esta chegar às fronteiras da UE. No mesmo ano, o Canadá manteve os seus requisitos específicos para a importação de alimentos sob o Safe Food for Canadians Regulations (SFCR), que também enfatizam a rastreabilidade e a segurança. A China, por sua vez, fortaleceu em 2025 a digitalização e a responsabilização no registo de exportadores de alimentos, com ajustes significativos no sistema China Import Food Enterprise Registration (CIFER), que coloca maior ónus no exportador para fornecer dados precisos e verificáveis.

O impacto para a cadeia de distribuição é direto e severo. A falha em cumprir com estes protocolos digitais de rastreabilidade, seja por dados incorretos, em falta ou submetidos fora do prazo, pode significar a rejeição de cargas inteiras na fronteira. Um erro administrativo ou de dados pode transformar uma expedição lucrativa numa perda financeira substancial, incluindo custos de devolução ou destruição da mercadoria.

A conta do carbono: Como a descarbonização está a redefinir o custo do frete marítimo

Além da digitalização, a agenda global de descarbonização adiciona outra camada de complexidade e custo à logística de exportação. Novas regulações ambientais estão a ser implementadas para o transporte marítimo, um componente vital da cadeia de frio global, e o seu impacto financeiro começa agora a ser sentido de forma concreta. O custo das emissões de carbono está a ser progressivamente internalizado no valor do frete.

EU ETS2 e IMO: A regulamentação global aperta o cerco

A pressão regulatória internacional é a principal força por trás desta mudança. A inclusão do setor marítimo no sistema de comércio de emissões da União Europeia (EU ETS2) significa que as companhias de navegação que operam em portos da UE têm de comprar licenças para as suas emissões de gases com efeito de estufa. Adicionalmente, a iniciativa FuelEU Maritime estabelece metas para a redução da intensidade de gases com efeito de estufa dos combustíveis utilizados pelos navios. Paralelamente, os novos pacotes regulatórios da Organização Marítima Internacional (IMO) reforçam a exigência global de redução da intensidade de carbono da frota mundial. Juntas, estas medidas criam um quadro em que as emissões têm um custo direto, que é inevitavelmente repassado aos clientes através de sobretaxas de combustível ou de carbono.

SBCE: O Brasil entra no jogo do comércio de emissões

A tendência não se limita aos mercados importadores. No âmbito local, o Brasil também se move nessa direção com a criação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Embora a sua implementação no setor marítimo ainda esteja em desenvolvimento, a sua existência sinaliza uma mudança na política interna. O SBCE alinha o Brasil com as tendências globais de precificação de carbono, indicando que a pressão para a descarbonização virá tanto de fontes externas como internas.

Para os importadores e exportadores do setor de alimentos congelados, estas medidas ambientais representam uma nova e crescente variável de custo. O planeamento financeiro e logístico deve agora incorporar o custo volátil das emissões de carbono. O crescimento sustentado do mercado de congelados dependerá, portanto, não apenas da capacidade de produção e escoamento físico, mas também da habilidade de operar de forma eficiente dentro de um quadro regulatório global que é, simultaneamente, mais digitalmente exigente, mais rígido em termos ambientais e, consequentemente, mais custoso.