Cold chain

Acordo ANETIF-GCCA visa modernizar norma de 1994 para cadeia do frio no México

Em 25 de março de 2025, um acordo de colaboração foi assinado em Guadalajara, Jalisco, entre a Associação Nacional de Estabelecimentos de Tipo de Inspeção Federal (ANETIF) e a Global Cold Chain Alliance (GCCA). A formalização ocorreu durante a segunda sessão ordinária do…

R
Redação Frozen Retail Insider
Editor
Acordo ANETIF-GCCA visa modernizar norma de 1994 para cadeia do frio no México
Foto de Henrik Hansen

Por que um acordo de março de 2025 pode redefinir a logística de perecíveis no México?

Em 25 de março de 2025, um acordo de colaboração foi assinado em Guadalajara, Jalisco, entre a Associação Nacional de Estabelecimentos de Tipo de Inspeção Federal (ANETIF) e a Global Cold Chain Alliance (GCCA). A formalização ocorreu durante a segunda sessão ordinária do Conselho de Administração da ANETIF, estabelecendo uma aliança com o objetivo central de fortalecer a cadeia do frio no México. Este setor é fundamental para a integridade e distribuição de produtos perecíveis, desde alimentos a produtos farmacêuticos.

A assinatura foi conduzida por Alonso Fernández Flores, Presidente da ANETIF, e Adam T. Thocher, Vice-Presidente Sênior de Programas e Insights Globais da GCCA. O acordo não se limita a uma declaração de intenções; ele estabelece uma base concreta para iniciativas conjuntas de advocacy e desenvolvimento técnico. O foco principal é abordar deficiências regulatórias e operacionais específicas que atualmente limitam a eficiência e a modernização do setor de armazenamento refrigerado no país.

O Alvo de 30 Anos: Por que a norma NOM-008-ZOO-1994 se tornou um obstáculo?

O esforço colaborativo entre ANETIF e GCCA tem um alvo regulatório bem definido: a atualização da norma NOM-008-ZOO-1994. Este regulamento, que estabelece as "Especificações de Construção para Estabelecimentos e Instalações de Abate de Animais", está em vigor há mais de três décadas e é considerado inadequado para as necessidades tecnológicas e operacionais contemporâneas da cadeia do frio.

Segundo Adam T. Thocher, da GCCA, a modernização é uma necessidade inadiável. "Sem dúvida, este acordo permitirá que a ANETIF e a GCCA colaborem em iniciativas de advocacy para melhorar o quadro regulatório do setor", afirmou. A sua análise aponta diretamente para a lacuna central da norma atual: a sua incapacidade de fornecer diretrizes claras para as instalações de armazenamento a frio que operam dentro dos estabelecimentos TIF (Tipo Inspección Federal), que são cruciais para a exportação e o mercado interno de produtos de origem animal.

O que exatamente falta na regulamentação de 1994?

O ponto crítico levantado por Thocher é a ausência de uma seção dedicada às especificidades das instalações de armazenamento a frio. A norma NOM-008-ZOO-1994 foi concebida com foco principal nas áreas de abate e processamento, não contemplando as complexidades do armazenamento em temperatura controlada. "As regulamentações atuais para instalações de armazenamento a frio dentro dos estabelecimentos TIF precisam ser atualizadas, particularmente adicionando uma seção específica sobre instalações de armazenamento a frio à norma", explicou Thocher.

Esta omissão cria um vácuo regulatório. Na prática, a falta de diretrizes modernas e detalhadas resulta em inconsistências na construção, operação e fiscalização dessas instalações. Dificulta a implementação de tecnologias mais eficientes, como sistemas de refrigeração de baixo consumo energético, automação de armazéns e monitoramento digital de temperatura. A colaboração entre ANETIF e GCCA visa preencher essa lacuna, propondo uma linguagem técnica que alinhe as práticas mexicanas com os padrões internacionais e as exigências atuais do mercado global.

Dois Fatores de Pressão: O Clima e a Classificação Logística Global do México

A iniciativa para modernizar a regulamentação da cadeia do frio não é um exercício puramente técnico; é impulsionada por dois fatores externos de grande impacto: as alterações climáticas e o desempenho logístico do México em comparações internacionais. Estes elementos criam uma urgência operacional e econômica para a modernização da infraestrutura.

Como o aumento das temperaturas impacta a vida útil dos produtos?

Alonso Fernández Flores, da ANETIF, destacou o nexo direto entre as condições climáticas e a necessidade de infraestrutura robusta. "O aumento das temperaturas extremas impulsionou a necessidade de expandir e modernizar a infraestrutura de refrigeração, focando em tecnologias com maior eficiência energética e menor impacto ambiental", declarou. A sua análise sublinha que a cadeia do frio não é mais uma questão de conveniência, mas de necessidade absoluta para garantir a segurança alimentar e reduzir perdas.

Ele detalhou as consequências operacionais diretas, afirmando que "mesmo pequenas mudanças de temperatura impactam diretamente a vida útil do produto". Esta sensibilidade exige um controle rigoroso que a infraestrutura e os processos atuais podem não garantir de forma consistente. "A mudança climática poderia afetar severamente os produtos se não for mantido um controle rigoroso e eficiente", acrescentou Flores. Além da infraestrutura física, ele apontou para o capital humano como um pilar essencial, ressaltando a importância de "aprimorar a capacitação da força de trabalho para garantir o manuseio adequado de produtos perecíveis e minimizar perdas por falhas na cadeia de suprimentos".

O que o 47º lugar no ranking do Banco Mundial realmente significa?

O contexto operacional é agravado pela posição do México em métricas globais de logística. Em outubro de 2024, o Banco Mundial classificou o México na 47ª posição em seu Índice de Desempenho Logístico (LPI). Embora não seja uma posição alarmante, ela evidencia lacunas significativas em comparação com os principais parceiros comerciais e concorrentes globais. O LPI avalia critérios como a eficiência dos processos de desembaraço aduaneiro, a qualidade da infraestrutura comercial e de transporte, e a competência logística.

A 47ª posição sugere que existem atritos sistêmicos na cadeia de suprimentos mexicana. A modernização da cadeia do frio é um componente direto para melhorar essa classificação. Uma infraestrutura de armazenamento refrigerado mais eficiente e padronizada pode reduzir os tempos de espera, diminuir as perdas de produtos durante a inspeção e o trânsito, e aumentar a confiabilidade geral dos envios de produtos perecíveis. O acordo entre ANETIF e GCCA, portanto, pode ser visto como uma ação direcionada para melhorar um dos elos mais frágeis da cadeia logística do país, com potencial para impactar positivamente a sua competitividade internacional.

Implicações Estratégicas: O Papel da GCCA e o Futuro dos Operadores Mexicanos

A aliança firmada em Guadalajara tem implicações que se estendem para além da atualização de uma única norma. Ela sinaliza uma abordagem mais estratégica para a integração da logística mexicana na economia norte-americana e define novas expectativas para os operadores do setor.

Além do México: A Conexão com o USMCA e a Política Comercial

A atuação da GCCA no México é consistente com a sua estratégia mais ampla na América do Norte. A organização, que através de suas divisões representa tanto o setor de armazenagem (GCCA Warehouse) quanto o de transporte refrigerado (GCCA Transportation), possui uma visão integrada da cadeia de suprimentos. A sua credibilidade é reforçada pelo fato de ser parceira da recém-lançada Coalizão Agrícola para o USMCA.

Esta coalizão, que reúne mais de 40 organizações da comunidade agrícola dos EUA, demonstra o envolvimento direto da GCCA em discussões de políticas comerciais e regulatórias em nível regional. A modernização da norma NOM-008-ZOO-1994 no México pode ser interpretada como um passo para harmonizar os padrões técnicos dentro do bloco comercial do USMCA, facilitando o fluxo de produtos perecíveis entre México, Estados Unidos e Canadá. Para a GCCA, garantir padrões elevados e consistentes em toda a região é fundamental para a eficiência e a resiliência da cadeia de frio norte-americana.

Investimento vs. Eficiência: O que a mudança regulatória significa para as empresas?

Para os operadores de logística, distribuidores e varejistas que atuam no México, a eventual atualização da NOM-008-ZOO-1994 terá consequências práticas e financeiras. A médio prazo, a implementação de novas especificações técnicas pode exigir investimentos significativos na modernização de instalações existentes ou na construção de novas infraestruturas que cumpram os padrões atualizados.

Contudo, estes custos podem ser compensados por ganhos de eficiência e redução de riscos. Um ambiente operacional mais padronizado e previsível tende a diminuir as perdas de produtos por quebras na cadeia de frio. A adoção de tecnologias mais eficientes, incentivada pela nova norma, pode levar à redução dos custos operacionais, especialmente em energia. A ênfase na formação de mão de obra, como mencionado por Flores, também sinaliza que as mudanças não serão apenas de infraestrutura, mas também de processos e capital humano, visando uma melhoria sistêmica na gestão da cadeia de suprimentos de perecíveis no México.