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Relatório Aponta Oportunidade em Marca Própria para Atacadão e Assaí

Um novo relatório sobre alimentos embalados de marca própria na América Latina, com previsões até 2029, destaca uma penetração limitada no canal de atacarejo brasileiro, enquanto o baixo crescimento econômico esperado para 2025 deve impulsionar a categoria.

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Juliana Costa
Editor
Relatório Aponta Oportunidade em Marca Própria para Atacadão e Assaí
Foto de joe boshra

Análise de Mercado: A Ascensão da Marca Própria na América Latina até 2029

Um novo relatório analítico, adicionado à plataforma ResearchAndMarkets.com em 14 de maio de 2025, detalha a ascensão de alimentos embalados de marca própria na América Latina. O documento, intitulado "The Rise of Private Label Packaged Food in Latin America", oferece uma análise do setor com projeções estendendo-se até 2029. A publicação, originada de um comunicado de imprensa emitido em Dublin, chega em um momento de atenção para as estratégias de varejo na região.

O relatório de 33 páginas, apresentado em um conciso formato PPT, foca especificamente em categorias de impulso e indulgência. A cobertura de produtos inclui Confeitaria, Sorvetes, Snacks Salgados, Biscoitos Doces, Barras de Snacks e Snacks de Frutas. Esta análise setorial é particularmente relevante para compradores de varejo, gestores de categoria e fabricantes que buscam otimizar o sortimento e identificar oportunidades de produção em um ambiente econômico que exige maior eficiência e propostas de valor claras para o consumidor. A análise é produzida pela Euromonitor, uma empresa de pesquisa de mercado com 16 escritórios globais, o que confere uma perspectiva internacional à inteligência regional.

Por Que 2025 é o Ano da Marca Própria na América Latina?

O contexto para o avanço da marca própria é impulsionado por fatores macroeconômicos diretos. O relatório aponta que as duas maiores economias da América Latina, incluindo o Brasil, preveem um crescimento baixo para 2025. Este cenário historicamente favorece produtos de marca própria, à medida que os consumidores buscam alternativas de valor sem sacrificar a qualidade percebida. A correlação entre a desaceleração econômica e o aumento da participação de mercado de marcas próprias é um padrão observado em diversos mercados globais, e a América Latina não é exceção.

Quando a Economia Desacelera, a Estratégia do Varejo Acelera

A estagnação ou o baixo crescimento econômico exercem pressão sobre a renda disponível das famílias, tornando os consumidores mais seletivos e sensíveis a preço. Em resposta, os varejistas são forçados a repensar suas estratégias de precificação e mix de produtos para manter a competitividade e a fidelidade do cliente. A marca própria surge como uma ferramenta estratégica fundamental neste processo.

Diferente de simplesmente oferecer um produto mais barato, a marca própria permite aos varejistas um controle significativamente maior sobre toda a cadeia de valor. Desde o desenvolvimento do produto e a seleção de fornecedores até o marketing no ponto de venda e a estratégia de preços, o varejista detém o poder de decisão. Essa verticalização parcial permite a construção de margens mais saudáveis em comparação com as marcas de fabricantes, ao mesmo tempo em que oferece ao consumidor final um preço mais competitivo. A capacidade de controlar a narrativa da marca e garantir um padrão de qualidade consistente é crucial para transformar a marca própria de uma alternativa barata para uma escolha inteligente e confiável na mente do consumidor.

Brasil: Por Que os Canais de Maior Volume Ignoram a Marca Própria?

O Brasil, sendo a maior economia da América Latina, apresenta uma dinâmica peculiar e contraintuitiva destacada no relatório. Observa-se uma presença notavelmente limitada de marcas próprias em canais de varejo de altíssimo volume, especificamente nos clubes de compras e atacarejos como Atacadão e Assaí. Esta lacuna representa uma oportunidade comercial significativa e um paradoxo em um mercado tão orientado para o valor.

Enquanto formatos como supermercados e hipermercados tradicionais já avançaram na consolidação de seus portfólios de marcas exclusivas, os líderes do segmento de atacarejo ainda operam primariamente com um modelo focado em grandes volumes de marcas de fabricantes. A baixa penetração de marca própria nesses canais sugere que uma vasta base de consumidores, que já busca ativamente por preços baixos, ainda não foi plenamente atendida com alternativas de valor controladas pelo próprio varejista.

A Oportunidade de Margem Oculta no Atacarejo

A ausência de um portfólio robusto de marca própria em players como Atacadão e Assaí sinaliza uma fronteira a ser explorada. Para distribuidores e, principalmente, para fabricantes com capacidade de produção para terceiros, isso representa uma demanda latente e de grande escala. A negociação de contratos de co-fabricação para abastecer esses canais pode se tornar um vetor de crescimento importante nos próximos anos, alinhado diretamente com a busca incessante do consumidor brasileiro por valor.

Para os próprios varejistas de atacarejo, o desenvolvimento de marcas próprias é uma alavanca estratégica para diferenciação e rentabilidade. Em um setor caracterizado pela competição acirrada de preços e margens apertadas, a introdução de produtos exclusivos pode proteger as margens, aumentar a lealdade do cliente (que só encontra aquele produto específico em suas lojas) e reduzir a dependência das negociações com grandes indústrias. A exploração dessa oportunidade pode redefinir a dinâmica competitiva do setor no médio prazo.

Onde a Marca Própria Já é Realidade: O Modelo das Lojas de Conveniência

Em nítido contraste com a oportunidade ainda incipiente no atacarejo brasileiro, o relatório identifica um crescimento robusto e uma implementação bem-sucedida de marcas próprias em outros formatos de varejo. O segmento de lojas de conveniência, por exemplo, está em franca expansão na região, com a rede OXXO liderando o movimento e servindo como um estudo de caso para a eficácia dessa estratégia.

O modelo de negócio das lojas de conveniência é inerentemente propício para o sucesso das marcas próprias. Com espaço de gôndola limitado, o sortimento precisa ser altamente curado e eficiente. A introdução de produtos de marca própria permite que a rede maximize a rentabilidade por metro quadrado, oferecendo itens exclusivos que atendem às necessidades de consumo imediato, como snacks, bebidas e refeições prontas.

OXXO e a Expansão do Sortimento Exclusivo

A liderança da OXXO na expansão do canal de conveniência demonstra um modelo de sucesso onde a marca própria não é apenas um complemento, mas uma parte central da proposta de valor. A agilidade para testar e lançar novos produtos, o sortimento focado em categorias de impulso e a capilaridade da rede criam um ambiente ideal para a introdução de itens exclusivos. Essa estratégia fortalece a identidade da marca do varejista e cria um destino de compra para produtos que não podem ser encontrados em outro lugar.

Para a cadeia de suprimentos, o crescimento deste canal impõe desafios e oportunidades. A expansão de milhares de pontos de venda menores exige uma logística mais fragmentada e eficiente, especialmente para a cadeia de frio, que abastece sorvetes e outros produtos refrigerados. Fornecedores capazes de atender a essa demanda pulverizada com agilidade estarão bem posicionados para capitalizar sobre o crescimento contínuo do formato de conveniência e sua crescente aposta em marcas próprias.

Quanto Custa a Previsão? O Valor da Análise de Dados no Varejo

A análise detalhada deste setor é um ativo estratégico, e o mercado de relatórios de inteligência reflete o alto valor atribuído a esses dados. Para contextualizar o investimento necessário para obter insights acionáveis, um estudo relacionado, o "Packaged Food Private Label Market Global Report 2026", publicado pela The Business Research Company, tem um custo de US$ 4.490.

Este valor indica a importância que as empresas atribuem à inteligência de mercado para fundamentar decisões de investimento, desenvolvimento de produtos e estratégia de portfólio. O relatório global, com data de publicação prevista para janeiro de 2026, oferece uma perspectiva macro que pode complementar as análises regionais mais focadas, como o documento sobre a América Latina. Enquanto o relatório regional oferece um mergulho tático nas oportunidades imediatas em mercados como o Brasil, o relatório global permite que as empresas comparem o desempenho e as tendências da região com outras partes do mundo, informando estratégias de longo prazo e alocação de capital. A disposição para investir milhares de dólares em um único documento sublinha que, em um mercado competitivo, a falta de dados precisos pode custar muito mais.