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Emergent Cold LatAm: Único 3PL no Brasil com aval para exportar proteína à China

A Emergent Cold LatAm tornou-se o único operador logístico terceirizado (3PL) no Brasil habilitado a exportar proteína animal para a China, concentrando um elo crítico da cadeia de suprimentos para um dos principais mercados de destino do país.

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Ricardo Almeida
Editor
Emergent Cold LatAm: Único 3PL no Brasil com aval para exportar proteína à China
Foto de Sui Xu

Como uma única habilitação chinesa reconfigura a logística de proteína no Brasil?

A Emergent Cold LatAm consolidou uma posição singular no mercado logístico brasileiro. A companhia tornou-se a única operadora logística terceirizada (3PL) no país com autorização para exportar proteína animal para a China, um dos mercados mais relevantes para o agronegócio nacional. A habilitação foi oficializada na lista de novas unidades aprovadas pelas autoridades chinesas, divulgada em 12 de março. Este selo regulatório concede à empresa um diferencial competitivo direto e mensurável no escoamento de um dos principais produtos de exportação do Brasil, posicionando-a como um elo crítico na cadeia de suprimentos.

A autorização foi concedida especificamente à unidade da empresa localizada em Rio Grande, no estado do Rio Grande do Sul. Esta instalação está agora formalmente habilitada para realizar a armazenagem e o embarque de proteína animal congelada destinada ao mercado chinês. A escolha da localização é estratégica, dado o acesso portuário da cidade e sua proximidade com polos produtores. A medida efetivamente canaliza uma parcela significativa do fluxo de exportação terceirizado através de uma única instalação, alterando a dinâmica para produtores que dependem de parceiros logísticos para acessar o mercado asiático.

De fornecedor a parceiro estratégico: o que a exclusividade da China realmente significa?

A exclusividade da Emergent Cold LatAm como a única 3PL na lista de habilitações chinesas cria um ponto de passagem funcionalmente obrigatório para produtores de proteína que optam por terceirizar sua logística de exportação para este mercado específico. A decisão das autoridades chinesas não apenas valida os padrões operacionais da instalação de Rio Grande, mas também posiciona a empresa para além de um mero fornecedor de serviços. Ela se torna uma parceira estratégica para o acesso ao mercado, detendo a chave para um corredor de exportação vital.

Esta nova configuração de mercado tem implicações diretas para a tomada de decisão dos exportadores. Produtores sem infraestrutura própria certificada pela China agora dependem da capacidade e disponibilidade da Emergent Cold LatAm para manter seus fluxos comerciais. A empresa, por sua vez, ganha uma alavancagem comercial substancial, podendo capitalizar sobre sua posição única para negociar contratos de longo prazo e se integrar mais profundamente nas operações de seus clientes.

Mais que uma licença: a visão da liderança

A importância estratégica deste marco foi articulada pela liderança da empresa. Segundo Evandro Calanca, diretor geral da Emergent Cold LatAm no Cone Sul, a conquista transcende o âmbito corporativo. "Este marco é mais do que uma conquista para nós. É a prova da nossa dedicação em elevar o padrão da logística refrigerada no Brasil, ajudando a fortalecer as relações comerciais entre Brasil e China", afirmou Calanca.

A declaração sinaliza uma intenção clara de utilizar a certificação como uma plataforma para aprofundar seu papel no comércio bilateral. Ao se apresentar como um facilitador do fortalecimento das relações comerciais, a empresa se posiciona não apenas como um executor logístico, mas como um agente ativo na infraestrutura de exportação do país. Esta narrativa busca transformar uma vantagem operacional em uma credencial de confiança e indispensabilidade para o setor.

70 instalações, 37.000 paletes e 11 países: a escala por trás da certificação

A capacidade de obter uma certificação tão restrita e valiosa não é um evento isolado. Ela está diretamente ancorada na escala operacional e nos investimentos contínuos da Emergent Cold LatAm na América Latina. A companhia não é uma operadora de nicho; sua massa crítica e capilaridade regional são os fundamentos que sustentam sua capacidade de atender a padrões internacionais exigentes, como os impostos pela China.

A fundação de uma rede pan-regional

A base da operação da empresa é uma vasta rede de mais de 70 instalações de armazenagem a frio, estrategicamente distribuídas por 11 países da região. Esta presença extensiva confere à companhia um profundo conhecimento das complexidades logísticas locais e regionais, além de permitir a oferta de soluções integradas que cobrem múltiplos mercados. A posição de liderança da empresa é confirmada por sua classificação em primeiro lugar no ranking da principal associação do setor de armazenagem a frio na América Latina. Essa liderança de mercado não é apenas uma questão de tamanho, mas também de reconhecimento setorial, o que provavelmente pesou na avaliação das autoridades chinesas.

Investimentos que materializam a liderança

A posição de mercado é reforçada por investimentos recentes e tangíveis em infraestrutura. Um exemplo concreto é a inauguração do maior armazém de alimentos congelados do Chile. Esta instalação adicionou uma capacidade significativa de 37.000 paletes, distribuídos em um volume de 294.000 m³, à rede da empresa. Tais projetos demonstram um compromisso contínuo com a expansão da capacidade e a modernização, fatores essenciais para manter a competitividade e atender à crescente demanda por logística refrigerada de alta qualidade. A empresa não está apenas mantendo sua rede, mas expandindo-a ativamente com ativos de grande escala.

O impacto direto na cadeia de exportação: eficiência versus concentração

Para os exportadores brasileiros de proteína animal, a habilitação da unidade de Rio Grande centraliza uma etapa crucial do processo de exportação para a China. Esta centralização apresenta um cenário de dupla face: por um lado, a possibilidade de ganhos de eficiência e, por outro, os riscos associados à concentração de um serviço crítico em um único provedor 3PL.

15% mais vendas, 4,5% menos desperdício: a prova de conceito

A eficiência da cadeia fria é um fator determinante para o sucesso no comércio internacional de alimentos. A manutenção rigorosa da temperatura ao longo de toda a jornada logística é fundamental para garantir a qualidade do produto, cumprir normas sanitárias e, em última análise, proteger a rentabilidade da operação. Um caso de cliente da empresa, a VPC Company, ilustra os ganhos potenciais de uma cadeia fria otimizada. A parceria resultou em um aumento documentado de 15% nas vendas e uma redução de 4,5% no desperdício de produtos.

Este tipo de resultado se torna ainda mais crítico em rotas de longa distância e alto volume, como a do Brasil para a China. A capacidade de replicar esses ganhos de eficiência na rota para o mercado chinês, através da instalação certificada em Rio Grande, representa uma proposta de valor concreta para os exportadores. A redução do desperdício e a garantia da qualidade do produto na chegada são argumentos comerciais poderosos.

O dilema da centralização para os exportadores

Apesar dos benefícios potenciais de eficiência, a dependência de um único operador 3PL para o trânsito de mercadorias para a China representa um ponto de concentração na cadeia logística. Para os exportadores que não possuem instalações próprias habilitadas, a Emergent Cold LatAm passa a ser um parceiro inevitável. Esta situação pode limitar o poder de negociação dos exportadores em termos de preços e condições de serviço. Além disso, qualquer interrupção operacional na instalação de Rio Grande, seja por questões técnicas, logísticas ou de qualquer outra natureza, poderia ter um impacto desproporcional no fluxo de exportação de múltiplos produtores, criando um risco sistêmico localizado para esta rota específica.

Além da refrigeração: automação e carbono zero como novos diferenciais competitivos

O posicionamento da Emergent Cold LatAm não se baseia apenas na escala e nas certificações atuais. A estratégia da empresa aponta para as futuras exigências do mercado logístico global, com um foco claro em tecnologia e sustentabilidade. Esses investimentos indicam uma antecipação das tendências que definirão os padrões do setor nos próximos anos, como a automação para ganhos de eficiência e as credenciais ambientais como critério de seleção de parceiros.

A aposta na automação para 2026

A empresa já tem planos concretos para inaugurar o maior centro de armazenagem a frio automatizado da América Latina em 26 de março de 2026. A automação em logística refrigerada não é apenas uma melhoria incremental; ela representa uma mudança fundamental na operação. Um centro automatizado permite maior densidade de armazenagem, velocidade de processamento de pedidos significativamente maior, redução drástica de erros operacionais e maior segurança no trabalho. Para os clientes, isso se traduz em maior precisão no controle de inventário, tempos de resposta mais rápidos e maior confiabilidade geral, fatores críticos para cadeias de suprimentos globais just-in-time.

A certificação EDGE Zero Carbon como moeda de troca

Paralelamente ao avanço tecnológico, a empresa está investindo em credenciais de sustentabilidade. A obtenção de novas certificações EDGE Zero Carbon no Chile e no México, prevista para 4 de dezembro de 2025, sugere que a empresa está se antecipando a uma demanda crescente por operações com menor impacto ambiental. Essas certificações não são apenas para imagem corporativa; elas estão se tornando um critério de seleção cada vez mais importante para clientes multinacionais, especialmente grandes varejistas e empresas de alimentos com metas de sustentabilidade rigorosas em suas próprias cadeias de valor.

A combinação da habilitação exclusiva para a China, uma escala pan-regional, investimentos contínuos em capacidade, uma estratégia de automação e credenciais de sustentabilidade verificáveis posiciona a Emergent Cold LatAm de forma robusta. A empresa não está apenas respondendo às complexidades atuais da logística de alimentos congelados na região, mas também se estruturando para liderar a próxima fase de evolução do setor, onde eficiência tecnológica e responsabilidade ambiental serão tão importantes quanto a capacidade de refrigeração.